sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tijolos poéticos de Carlinhos Brown


De volta e chutando, Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí").


No capítulo anterior, vimos algumas barbáries líricas cometidas por Nando Reis, a galera do Ira! e do Nenhum de Nós. Agora vamos a um nome que merece um post à parte. Ele toca muita percussão, é um gênio em idéias musicais... mas na hora em que abre a boca e/ou escreve letras... salve-se quem puder. Parceiro de Caetano Veloso, Sepultura, Marisa Monte, Paralamas, Daniela Mercury e mentor da Timbalda. Sim! Ele mesmo!! É o Carlinhos Brown (ou Carlito Marron?)! Analisemos várias amostras de seu trabalho para tentar achar um pingo de nexo (um pinguinho bem inhozinho já vale!!!!!) em alguma coisa que ele escreveu.




Vamos começar com a salutar frase de "Uma Brasileira", composição que os Paralamas do Sucesso gravaram em seu álbum Vamo Batê Lata:



"E esse ão de são hei de cantar naquela canção one more time".


Vale a ressalva que, na música, a frase é cantanda, primeiramente por outro mestre do non-sense da música brasileira: Djavan. Mas, voltando à vaca fria, que diabos isso quer dizer? Hum... talvez seja porque, quando estamos gripados, não conseguimos falar o "ão" direito nem cantar e, ao ficarmos sãos, conseguimos pronunciar o fonema corretamente e conseguimos cantar mais uma vez ("one more time").



Inclusive, ele evoca o mesmo estado gripal em sua letra "Vitamina Ser" (sacou o trocadilho? Vitamina C/ Ser? Hein? Hein?)



"Pente, escova de dente, remédio para gripe, lavanda e sabão".



Minha mãe também escreve isso na lista da farmácia. E ainda há na mesma música a expressão "Oxum by me". Seria isso o espirro de um orixá? Uma tentativa de buscar a mesma sonoridade de "caxumba"? A mãe das entidades está gripada e, por isso, ao invés das tradicionais oferendas ele vai à Droga Raia comprar os itens da listinha acima exatamente como minha mãe compraria? Ou estaria Brown simplesmente ensinando inglês para Oxum tornar-se um ícone religioso internacional como Jesus, Maria e Maomé (porque ninguém se globaliza falando só português e iorubá). Por que causa, motivo, razão ou circunstância ele não deixa a esposa de Ogum em paz, by herself?????




Gostaria de incluir também uma música de Brown feita "pra pular" na voz de Daniela Mercury: Rapunzel, do álbum Feijão com Arroz. A parte instrumental da música é absurdamente boa, trocentos instrumentos, um rítmo forte, um arranjo muito bem feito... mas alguém, por misericórdia, pode me dizer o que vem a ser


"No calendário é flor e anda"?


E a Rapunzel entra na história junto com Romeu e Julieta dando um grito grão no bololô e sondando o brocotó do ti-ioiô, já que no barracão tem sossego. E vamo simbora na ladeira, vamo simbora na lagoa.



Reza a lenda que o simpático peixinho da Babel Fish, depois de tentar decifrar Carlinhos Brown, pediu demissão da Yahoo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Desafios, memês, prêmios, etc

Post especial de agradecimento à Ingrid, do Enjoy The Silence e à Bárbara, do Idéias de Bárbara.

Ingrid, muito obrigada pelo prestígio, pelo carinho... e pelo desafio. Vamos ver se vou me sair bem! Bárbara, muito obrigada MESMO pela indicação!! Foi uma honra! Não sei que prêmio é mas, se é prêmio, já fico muito feliz! Está devidamente linkada, ok?




figura do Prêmio Dardos
Quem quiser continuar a brincadeira, é só linkar o Barzinho, copiar o selo e repassar para mais 15 blogs, ok?



Vamos ao desafio da Ingrid: responder às perguntas com títulos de músicas do artista escolhido. Como sempre, a escolhida é ela:



És homem ou mulher? Mutante

Se descreva: Vira-lata de raça

O que as pessoas acham de você? Ovelha negra

Onde queria estar agora? Perto do fogo

Uma frase: Dançar pra não dançar

Como é sua vida? Nem luxo, nem lixo

Namorando, casado ou solteiro? Caso sério

O que pedirias se tivesses um só desejo? Amor e sexo

Aproveitando o clima, também faço um convite a vocês:


Mande uma foto pedindo "Toca Raul" e apareça no Barzinho!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Traduções medonhas - Astronauta de Mármore

Eis que volta Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí), em edição especial, para tratar de uma das piores traduções do nosso cancioneiro do barzinho. A saga de como "Starman" de David Bowie, virou "O Astronauta de Mármore".

Era uma vez que os fãs de Bowie sentiram vergonha alheia... mas o fato é que a tal banda se deu muito bem, sendo esse um dos seus principais sucessos. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, esse não é um atenuante para a tradução criminosa que eles perpetraram.





O mais brando dos aspectos do crime é o clássico erro gramatical:


"Vou lembrar do tempo de ONDE eu via o mundo azul".



Crianças... "onde" é indicativo de lugar; para indicar tempo, usa-se QUANDO. Certo professor?





Correto, Vânia!



Mas como até Vinícius de Moares deixou escapar essa em "Regra 3" ("Onde menos vale mais" - o certo seria "Em que menos vale mais"), vamos considerar isso uma passagem amena.

A parte mais assustadora da tradução em si vem agora. Pergunto-vos, senhores: como é possível que a frase original traduzida "É impressionante que você o escute também" sofra uma metamorfose tão grotesca a ponto de virar:


"As nuvens queimam o céu, nariz azul"






De onde vem o azul do nariz?? Ainda se o nariz fosse vermelho, poderíamos dizer: "quem sabe é uma analogia a um palhaço?" ou até mesmo "ah, ele é primo do Papai Noel e brinca com a Rena do Nariz Vermelho", ou ainda, "pobrezinho, ele estava muito perto do sol no espaço, não passou Sundown e ficou com o nariz vermelho" ou até mesmo "coitado, ele queimou o nariz na mesma nuvem que estava queimando o céu".






Mas azul????

O astronauta enfiou o nariz no frizzer??? O nariz de mármore do astronauta foi pichado??? É um astronauta-calouro que levou um trote e pintaram seu nariz de azul???



Ah!!! Já sei!!!!!! Vou escrever pro Marcos Pontes e perguntar se o nariz fica azul no espaço - mesmo porque ninguém ouviu mais essa música do que ele antes de voar, cantada por várias criancinhas que foram obrigadas a decorar essa letra horrível e fazer bandeirinhas na aula de Artes.







UPDATE:


Diretamente do site do "Nenhum de Nós", a versão dos réus, quer dizer, da banda:


A canção "O astronauta de mármore" é uma versão para língua portuguesa de uma canção feita originalmente em inglês pelo músico britânico DAVID BOWIE. Como nós somos fãs dele, sempre gostamos de suas músicas e resolvemos fazer a versão como uma espécie de homenagem. A letra em português - que nós mesmos fizemos - fala sobre o Major Tom que é um personagem que o próprio Bowie criou no seu primeiro sucesso Space Oddity (1969). Ele é de fato um astronauta e o Bowie voltou a escrever sobre ele em outra canção: Ashes to ashes (1981). A música original do Astronauta de mármore chama-se Starman (1971) e não fala sobre o Major Tom, então nós resolvemos escrever por nossa própria conta um novo capítulo na vida deste astronauta. Na música Ashes to ashes o Bowie colocou o problema que o Major teve com as drogas. Nós apenas colocamos a nossa visão dele sobre este mesmo problema e a sua saída dele através da fé em algo superior. A volta do espaço trouxe a ele uma nova visão do homem e de sua importância. A nossa letra faz alusões poéticas à droga e seu uso e este caminho de redenção que o Major Tom encontrou.


E aí? Quem paga o pato?

Vou... mas volto! Nos próximos capítulos, tijolos poéticos de Carlinhos Brown.




As piores frases da música brasileira - parte 1

Tia Vânia Valerrie (pronuncia-se "Valerrí") is back in town e disposta a comentar, em mal traçadas linhas, algumas barbáries da música brasileira.

Nem sempre as musas estão de bem com os poetas. Nem sempre a inspiração nos sorri e expõe seus encantos ao mundo através do artista. Às vezes, os misteriosos terrenos da criação não se mostram suaves e coloridos; mas, sim, um grande inferno de indefinições e desacertos. Moral da história: não adianta ter fama nem deitar na cama que, quando Calíope fecha a cara, guarde sua pena, poeta!




Aqui vai uma pequena compilação de frases horríveis da música brasileira. E não pensem vocês que as "pérolas" aqui enumeradas foram retiradas das músicas ditas "pra pular" - cujas letras já são propositalmente ruins porque ninguém tá a fim de papo-cabeça enquanto está pulando, fazendo coreografias imbecis e liberando endorfinas e cecê. Tem várias frases dos poetastros disfarçados de gurus da música brasileira, que são aplaudidos por pseudo eruditos e "descolados" em geral. Vamos a elas.

Começando com uma das piores da história, escrita por Nando Reis e que é tão horrível, mas tão horrível que nem a força da Cássia Eller conseguiu disfarçar o ridículo das palavras:




"Colombo procurou as Índias, mas a terra avisto em você".


Gente! O que é isso? E que ninguém venha com a desculpa de que é para dar um ar singelo e geograficamente correto! Singelo e gracioso é "estranho é gostar do seu All Star azul" - isso sim direto, simples e fofíssimo. É a frase que dá nome à música (All Star) e resume a idéia da canção: como coisas banais tornam-se tão belas quando vêm da pessoa que amamos. E, sendo essa a linda mensagem (sem ironia!), que cazzo Colombo tem a ver com isso???

O rock brasileiro dos anos 80 cometeu algumas maldades nesse sentido. Como exemplo, temos o Ira! e as frases bombásticas de Nasi, Scandurra e companhia:



"Se meu filho nem nasceu eu ainda sou o filho."





E desde quando alguém deixa de ser filho quando tem um filho? Eu até ia dizer que pode ser um daqueles casos em que a moça fica grávida antes do casamento e os pais, revoltados, expulsam-na de casa dizendo: "Nunca mais volte! Você não é mais minha filha!", mas isso não faz sentido porque a frase está no gênero masculino. Será que a palavra "avô" não tinha sido incluído no Aurélio quando eles compuseram essa música??



E quanto a passar a estrofe inteira de uma canção dizendo:



"Meu amor eu sinto muito, muito, muito mas vou indo/ pois é tarde é muito tarde e eu preciso ir embora/ sinto muito meu amor mas acho que já vou andando/ amanhã acordo cedo e preciso ir embora/ eu queria ter você mas acho que já vou andando/ outro dia pode ser mas não vai dar pra ser agora".

Parece uma tia velha e chata que você pensa que vai desligar o telefone e resolve perguntar da mãe, do pai, do vizinho, do cachorro, do papagaio. E nem adianta dizer "tchau tia, um beijo" porque ela vai perguntar tudo do mesmo jeito. Precisa levar seis frases pra dizer "tchau"???? Se é para fazer isso, que ouçam Demônios da Garoa e seu "Trem das Onze" pra saber como enrolar uma namorada na despedida com estilo!!!!





Eis que Vânia Valerrie (pronuncia-se "Valerrí") gira 180 graus e volta já já, no próximo post!


Antes do último show

A data está marcada e o tempo continua sua marcha rumo a ela. Não, o tempo não se compadece nem se culpa: ele é nada mais do que o inexorável regente do nascer e morrer.


Amanhã é o último show.


Escolheu o seu barzinho preferido. Tratou de cuidar do seu equipamento com ainda mais carinho - especialmente dos seus queridos violões e do seu amado microfone sem fio - os únicos parceiros de estrada com os quais ela sempre contou.


Ligou para que todas as pessoas que convidou para lembrá-las da apresentação. Fazia questão que todos que a acompanharam naquela carreira estivessem lá, ou dando canja ou na platéia. Tomou o cuidado de pedir a gentileza para que ninguém fumasse próximo ao palco.


Bebeu muita água e comeu muita maçã - os melhores remédios para a voz. Alongou-se como deveria ter se alongado todos os dias e antes de todos os shows - procedimentos que repetiria amanhã, alguns instantes antes de subir ao palco.


Escolheu o repertório mais querido. Não faltariam suas versões para Back on the chain gang, Pagu, Billie Jean, I'll survive, Smoke on the water, Cowboy fora-da-lei (para quando gritassem "Toca Raul"), Como nossos pais, Mercedes Benz (essa seria o grand finale) e outras.


Foi deitar-se cedo, embora soubesse que seria dífícil dormir. Repassou a vida na mente - desde quando ganhou o primeiro violão, aos 7 anos, até as dificuldades, os ensaios, as brigas... e a glória de cada aplauso. Chorou muito.


Amanhã seria o último dia antes do desconhecido.





Palma, palma, não priemos cânico! Dessa vez a historinha é pura ficção! É uma adaptação do memê que o "G.", do Salada com Farofa, gentilmente, me intimou a responder! O tema original seria "8 coisas que você faria antes de morrer" mas, pra não fugir do tema e do estilo do blog, adaptei para "8 providências a se tomar antes do último show".


Valeu, Mr. G!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Diário de uma musicista desastrada - parte 2





dezembro/ 06

Querido diário,

Hoje fui dar uma força como "roadie" na audição da escola de música em que eu estudei - apesar de não estar mais lá, são como uma família pra mim. E, primeiro, rolou a apresentação das crianças. Depois, enquanto um pessoal cantava uma música, eu tinha que preparar o palco para as apresentações com banda dos adultos. Uma das coisas que eu tinha que fazer era tirar o teclado e colocá-lo num canto.

Sabendo das minhas "habilidades", tomei o triplo de cuidado e chequei pra ver se tinha desplugado todos os cabos, se o pedestal estava firme, etc. Mas o cabo da fonte enroscou no meu pé e eu quase tropecei e só não deixei cair o teclado pq, no reflexo, eu segurei o bicho com O QUEIXO e um professor correu pra me ajudar...

Menos mal que não deixei cair nada na cabeça de nenhuma criança! Na audição passada, bati o violão na cara de um menininho e me senti muito mal quando ele saiu chorando. A mãe dele me lançou uns olhos de ódio que me gelaram até a espinha.


novembro/ 02

Querido diário,

Que droga! Não bastasse a chateação de ter passado 15 dias com o pé engessado por causa daquele tombo da bicicleta, agora vou voltar a andar de muletas! Já estava quase curada, mas hoje tive que fazer um resgate e me machuquei de novo!

Coloquei a guitarra meio torta no suporte e ia saindo da sala, mas vi minha querida telecaster tombando lentamente. Feito um goleiro, dei aquele pulo estilo "ponte" em direção a ela, me esborrachando no chão. Ela bateu na minha cabeça, depois parou no meu ombro e não sofreu nenhum arranhão. Em compensação, eu ganhei um galo e mais uma semana andando de muletas, porque torci o pé de novo. Mas valeu a pena: o plano de saúde tem cobertura pra pé quebrado, mas não pra serviços de luthier.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Diário de uma musicista desastrada - parte 1




setembro/05


"Querido diário,


Hoje aprendi uma lição muito importante: no estúdio, temos que tomar cuidado com o aterramento do lugar (sabe aquelas coisas de tomada?). Estava tocando guitarra, ampli ligado, pedaleira ligada quando, sem querer, encostei o nariz no microfone. Tomei um choque que me derrubou: dei dois passos pra trás e caí de bunda no chão, com a guitarra pendurada. Meu nariz ficou parecendo o de um palhaço e riram de mim o ensaio todo, droga! Pior que isso foi sonhar com o Bozo falando:




Não encoste o nariz no microfone, amiguinho!"




outubro/05


"Querido diário,


Adorei a banda pra qual aquele amigo do primo do meu amigo me indicou! Pessoal muito legal! Bom, eu estava um pouquinho nervosa e, quando cheguei, tropecei no amplificador do baixista, chutei pedaleira do guitarrista e bati meu violão no chimbaue o case da guitarra no computador, em sequência ... mas tudo bem.


Depois de tudo pronto para começar o ensaio, vi que o cabo do violão estava enroscado no pedestal e, na hora de tirar o nó, acabei dando uma cotovelada no pedestal do microfone. Iria ser uma bela queda, mas o guitarrista conseguiu impedir. Eu também tentei segurar e, como ainda estava com a guitarra nos ombros, sem querer, bati minha guitarra na boca dele, tadinho! Mas ele disse que não doeu e também não sangrou... então fiquei mais aliviada.


Começamos o ensaio e tava tão bom que eu comecei a me empolgar e pular. Mas, como eu não tenho muita coordenação para cantar, tocar e pular ao mesmo tempo, pisei no cabo do violão e deu um estouro que quase comprometeu as caixas de som. Pluguei de novo e seguimos o ensaio.


Quando acabou a música, sem querer, chutei a garrafa de água e vi que o reflexo do guitarrista era realmente bom, porque ele tirou a pedaleira numa velocidade incrível!


Depois disso, tocamos mais umas cinco músicas e foi tudo muito bem. Parece que o pessoal da banda gostou também. Vamos ver no que vai dar."




Seu Madruga, sua vozinha também é musicista?"