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domingo, 30 de agosto de 2009

Nós somos chatos

Mais uma tirinha do genial Tiago Nepomuceno aqui no Barzinho:


Ir em algum show na companhia de um músico nunca é um bom negócio. Nós somos chatos, detalhistas, temos prazer em perceber os erros, falhas, e contar pra todo mundo. Não conseguimos simplesmente desligar o lado profissional e curtir o show como público, sem maiores exigências. Dizemos que o som está abafado, que o cabo está com mau contato, que o baterista atrasou o andamento, que o cantor errou a letra, criticamos, criticamos, criticamos, somos cri cri até.

É a mesma raiva de um ator assistindo à interpretação de um canastrão, de um chef provando um prato sem sabor, de um engenheiro percebendo falhas na obra ou de um médico deparando-se com um diagnóstico errado.

De vez em quando elogiamos também - às vezes com uma pontinha de inveja de não estar em cima do palco. Quando o show é bom, ficamos com a alma lavada, voltamos para casa felizes, renovados. E, claro,com um novo estímulo para largar de preguiça e voltar a estudar escalas e harmonias.

Amigos que não são músicos, tentem ter paciência com a gente! Somos chatos assim porque amamos esse lance de estar em cima do palco, fazendo algo que, se não vai mudar o mundo, vai fazer as pessoas felizes (pelo menos por uns minutinhos)... e é revoltante ver essa mágica ser mal executada por desleixo, incompetência ou qualquer outra razão. Música é nosso amor, e sempre queremos o melhor para quem a gente ama, certo?

E, sim, o Tiago tem toda a razão: a mizinha SEMPRE está desafinada. E tenho dito!

domingo, 19 de julho de 2009

Repertório para barzinho: rock internacional

Estava eu, um belo dia, fuçando no Google e digitei "Repertório para Barzinho". Advinha que site está lá, belo e formoso, no terceiro lugar?

Apesar dos pixels revoltados, dá pra ver que o jardineiro é Jesus e o Barzinho somos nozes, né?

Já que é disso que o povo gosta e é isso que o povo quer, vamos que vamos com mais sugestões de repertório!

Apesar de ser uma grande admiradora da música brasileira - e ser verdadeiramente fã de muitos artstas tupiniquins - na hora de plugar o violão e botar a boca no mundo, eu quero mais é botar todo mundo pra cantar e dançar com o bom e velho rock 'n' roll. Então, seguem pra vocês 20 músicas que sempre tenho debaixo dos dedos e que, via de regra, agradam gregos, troianos, casais, terceira idade, molecada, etc.
"Agora o rock'n'roll vai rolar e vai rolar direto!" - Frejat


Have you ever seen the rain/Proud Mary - Creedence Clearwater Revival

Venus - Shocking Blue


O que eu mais gosto de observar quando canto "Have you ever..." é que dificilmente alguém sabe a letra inteira dessa música, mas o "I KNOOOOOW" e o refrão todo mundo canta com um sorrisão no rosto! Gosto muito de "Proud Mary", mas prefiro a versão original, da diva Tina Turner, que sabe tudo de música e de palco.

A "Venus" do Shocking Blue é um caso curioso: ninguém conhece a banda, ninguém conhece a música pelo nome, mas, quando você começa a tocar a introdução, que é bem marcante, todo mundo faz aquela cara de "Ah! Já sei qual é essa!". E você? Já sabe qual é esse som? Então, veja aqui e repare na sobriedade da banda. Hora das baladinhas:


Hotel California - The Eagles

Wish you were here - Pink Floyd

Do you wanna dance - Johnny Rivers

Yesterday - The Beatles



"Hotel California" e "Wish you were here", sem dúvida, são os sons que eu mais toco quando o assunto é "rock ballads". Desde os eventos mais caretas até os barzinhos mais descolados, é batata (gíra idosa) que virá um guardanapo pedindo um desses clássicos... ou ambos!
"Do you wanna dance" agrada principalmente os casais (se tiverem 40 anos ou mais, repare nos olhares saudosos e românticos que eles trocarão, geralmente acompanhados da frase "Lembra do nosso namoro?") e, Yestarday é dos Beatles, o que dispensa maiores justificativas. Beatles são o pretinho básico de qualquer repertório: bateu a dúvida sobre o que tocar? Vai de Beatles que sempre funciona!
Agora umas baladas mais recentes:

Linger - The Cramberries

Every breath you take - The Police

With or without you - U2


"Linger" é uma balada linda, doída, simples, emocionante e estou na torcida para que o Cramberries se recomponha e curta o revival dos anos 90 que começa a se formar. "Every breath you take" é uma música sobre paranóia e perseguição... mas quem liga para a letra quando se tem um arranjo tão romântico? "With or without you" é sempre bem vinda e pode colocar a galera pra cantar o "ôôôô" que todo mundo vai participar.

Aproveitando que o público estará no clima dos "ôôôô", vamos emendar mais uma sequência, começando por mais um som cheio de "ôôôô":

Back on the chain gang/ Don't get me wrong - The Pretenders

Inbetween days/Boys don't cry - The Cure

Losing my religion - REM

Eu sou tão imparcial falando de Pretenders - em especial de "Back on the chain gang" - quanto o Chico Buarque falando de Fluminense. Don't get me wrong é conhecidíssima, mas pouca gente a toca. As músicas do Cure, fáceis de cantar e tocar, simples e diretas, agradam bastante também. "Losing my religion" é aquela música manjada, simples... e que todo mundo, mas todo mundo MESMO conhece e, se não canta junto, no mínimo você vê os pezinhos batendo embaixo da mesa no rítmo da música.
Vamos para as mais animadinhas:
Oh! Pretty woman - Roy Orbison
Crazy little thing called love - Queen
Roy Orbison é uma das vozes mais lindas do rock e criou um dos riffs mais marcantes da história (com essa franjinha, quem diria!). Nem preciso gastar palavras com isso: toque a introdução e veja a reação da rapaziada! Queen sempre será uma banda poderosa e "Crazy little thing..." é dançante, animada e tem um pé e meio nos anos 60.
Momento perfeito para emendar o "gran finale":
Twist and shout -The Beatles
La bamba - Ritchie Valens

Essas são duas músicas das quais o povo não enjoa. E duvido que alguém deixará de fazer o "aaaaaaaaaah" com você. Apoteose!
Agora é com vocês! Faltou alguém nessa lista? Concordou? Discordou? Mandem ver nos comentários!
UPDATE:
Agora, com esse post, estamos em quarto também nessa categoria "Repertório para barzinho"!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Antes do último show

A data está marcada e o tempo continua sua marcha rumo a ela. Não, o tempo não se compadece nem se culpa: ele é nada mais do que o inexorável regente do nascer e morrer.


Amanhã é o último show.


Escolheu o seu barzinho preferido. Tratou de cuidar do seu equipamento com ainda mais carinho - especialmente dos seus queridos violões e do seu amado microfone sem fio - os únicos parceiros de estrada com os quais ela sempre contou.


Ligou para que todas as pessoas que convidou para lembrá-las da apresentação. Fazia questão que todos que a acompanharam naquela carreira estivessem lá, ou dando canja ou na platéia. Tomou o cuidado de pedir a gentileza para que ninguém fumasse próximo ao palco.


Bebeu muita água e comeu muita maçã - os melhores remédios para a voz. Alongou-se como deveria ter se alongado todos os dias e antes de todos os shows - procedimentos que repetiria amanhã, alguns instantes antes de subir ao palco.


Escolheu o repertório mais querido. Não faltariam suas versões para Back on the chain gang, Pagu, Billie Jean, I'll survive, Smoke on the water, Cowboy fora-da-lei (para quando gritassem "Toca Raul"), Como nossos pais, Mercedes Benz (essa seria o grand finale) e outras.


Foi deitar-se cedo, embora soubesse que seria dífícil dormir. Repassou a vida na mente - desde quando ganhou o primeiro violão, aos 7 anos, até as dificuldades, os ensaios, as brigas... e a glória de cada aplauso. Chorou muito.


Amanhã seria o último dia antes do desconhecido.





Palma, palma, não priemos cânico! Dessa vez a historinha é pura ficção! É uma adaptação do memê que o "G.", do Salada com Farofa, gentilmente, me intimou a responder! O tema original seria "8 coisas que você faria antes de morrer" mas, pra não fugir do tema e do estilo do blog, adaptei para "8 providências a se tomar antes do último show".


Valeu, Mr. G!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Repertório anos 90 para barzinho

Continuando a saga, alguns hits dos anos 90 que fazem o povo cantar junto no barzinho! Trilha sonora testada e aprovada pela galera do happy hour!

Chuck Norris aprova esse repertório

Vamos começar com os grandes clássicos nacionais do barzinho que foram compostos e/ou estouraram na década do tetra:


Garganta - Ana Carolina

Ainda lembro - Marisa Monte

Mentiras - Adriana Calcanhotto

Malandragem - Cássia Eller

Pausa para uma observação que só essas quatro músicas nos permitem fazer, dado o número de vezes que nós, músicos de barzinho, tocamos essas canções:

O QUE SERIA DO REPERTÓRIO CLÁSSICO DO BARZINHO SEM OS ANOS 90?


O segundo sol - Cássia Eller

Tendo a lua - Paralamas do Sucesso

O poeta está vivo - Barão Vermelho

Catedral - Zélia Duncan

Na estrada - Marisa Monte


Mais cinco clássicos que figuram sempre entre as mais pedidas! Algumas gringas agora:

Black - Pearl Jam

Alive - Pearl Jam

Jeremy - Pearl Jam



A trupe de Eddie Vedder foi a mais pop das bandas grunges. Um medley dessas três músicas sempre agrada.

Plush - Stone Temple Pilots

Under the bridge - Red Hot Chilli Peppers

Patience - Guns 'n' Roses

Ode to my family - Cramberries

Linger - Cramberries

Wonderwall - Oasis

Ironic - Alanis Morrisette


Losing my religion - R.E.M.

Mr. Jones - Counting Crows

Fácil - Jota Quest

Garota nacional - Skank

Pescador de ilusões - O Rappa

A paz que eu não quero - O Rappa


E já temos uma primeira entrada recheada de sucessos! Aí é hora de tomar um fôlego e preparar o espírito (e o gogó) para tirar umas pérolas do fundo do seu baú. Essas serão as frases mais ouvidas:

- Nooooossa! (no sentido de "Que saudades dessa música!")

- Nooooooooossa! (no sentido de "Não ouço isso desde os anos 90!")

- Noooooooooooooooooooossa!!!!!!!! (no sentido de "Noooooooooooooooooooossa!!!!!!!!")

What's up - 4 Non Blondes

No rain - Blind Melon

Bagulho no bumba - Virgulóides

Noite preta - Vange Leonel

Two princes - Spin Doctors

Palpite - Vanessa Rangel

W/ Brasil - Jorge Ben (Jor)

Pérolas desenterradas, vamos rumo a um grand finale misturando mais clássicos da época e outras que a onda 90's virá coroar gloriosamente:

Tudo o que ela gosta de escutar - Charlie Brown Jr

Proibida pra mim - Charlie Brown Jr

I saw you say - Raimundos

Chopis Centis - Mamonas Assassinas

Me deixa - O Rappa

Te amo pra sempre - Kid Abelha

Ana Júlia - Los Hermanos

Me lambe - Raimundos

Mulher de fases - Raimundos

Robocop gay - Mamonas Assassinas


Deu vontade de colocar uma camiseta da Fatto, um tênis New Balance e ir pro barzinho?

Então mande sua sugestão de repertório 90's também! Que músicas dessa época você acha que ficariam legais em uma versão voz e violão?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A música dos anos 90 no barzinho: cult

Houve um tempo em que o rock internacional tirou o batom e o delineador, trocou a camisa de oncinha pela de flanela e cantou a tristeza de uma geração desiludida. O rock voltou a ser mais feroz, mais direto e sem frescuras. No Brasil, o rock perdeu de vez qualquer vestígio de inocência, falando escancarada e predominantemente de sexo e drogas... e fazendo piadas também. É claro que nos referimos aos...





Houve um tempo em que Alexandre Pires e Latino ostentavam bigodinhos. Um tempo em que Shakira cantava em espanhol e não parecia a Elba Ramalho, um tempo em que a mulher-objeto da vez não tinha uma fruta no nome artístico e exaltava sua baianidade (e, quando ganhou dinheiro suficiente, eliminou com plásticas e escovas progressivas todos os traços baianos e o cabelo pixaim).

Foi o início dos tempos em que a bunda se tornou o foco das paradas de sucesso, "pagode" passou a ser a música feita por homens de cabelos descoloridos, trajando ternos horríveis e fazendo passinhos ensaiados. Duplas goianas e seus cabelos mullet cantavam dores-de-cotovelo com suas vozes agudas (estridentes?) e venderam milhões. É claro que nos referimos aos...





Exatamente como o revival 80's, a tendência é que, o que era bom, recupere seu status glorioso e, o que era "lixo cultural", ganhe aura de "cult" e passe a ser o auge da trilha sonora das festas.



Todos voltarão a segurar o tchan, dançar na boquinha da garrafa e a passar por debaixo da cordinha - inclusive os que, na época, eram adolescentes roqueiros e detestavam aquela "porcaria"... e o farão não porque passaram a curtir axé e, sim, porque essa música trará as lembranças das primeiras festas, dos velhos amigos... talvez até do primeiro amor (ou do primeiro cigarro). A turma dos mais velhos vai se dividir: uns vão torcer o nariz, outros vão desafiar os bicos de papagaio e rebolar até o chão. A criançada e os adolescentes, com certeza, vão se divertir a valer com os tapas e beijos, pelados em Santos e baratas da vizinha. Aí está um guardanapo que recebi em um show em setembro para provar:



sábado, 15 de novembro de 2008

Como sacanear um vizinho músico

Hoje de manhã, acordei com meu vizinho do 4º andar estudando Sultans of Swing na guitarra (eu moro no 6º andar), às 10:30 da matina. Fui tocar ontem à noite, voltei morrendo de dor-de-cabeça, com a garganta ruim, febre e estava louca pra dormir até meio-dia, mas o Dm-C-Bb-A do Mark Knopfler da Vila Mariana interrompeu meus planos...
Isso exigia uma vingança bem cruel... mas o que?



Toco a campainha e faço escândalo? Chamo a síndica? Coloco um som com funk no último volume em frente à sua porta? Passo por debaixo da porta uma foto da minha avó pelada? Jogo uma bomba de fumaça na porta e começo a gritar "Fogo! Fogo!"?

NÃO!!!! JÁ SEI!!!!


Só preciso de um papel, uma caneta e um barbante que alcance até a janela dele... prontinho! Agora é só descer o cartaz até o 4º andar...



Bad, bad girl!

Meu vizinho, que é gente boa pra caramba, não só riu muito da piada como afinou a corda e abaixou o volume.

Sacaneie você também o seu vizinho músico com um "Toca Raul" criativo e conte aqui no Barzinho como foi!

domingo, 2 de novembro de 2008

Tirinha sensacional

Achei essa no "Tirinhas do Sabiá" - portfólio de Tiago Nepomuceno!




"Brinquedo de papel machê" foi ótimo!!!



Confiram outras tirinhas no site do cara que vale a pena!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Kit de sobrevivência no barzinho

Há um tempinho, um leitor do Barzinho pediu umas dicas para começar a carreira de músico. Transcrevo aqui o mail que mandei pra ele. Espero que possa ser útil para mais pessoas e, claro, todos vocês que quiserem complementar as informações, já sabem: mande sua opinião nos comentários!


"Yo sobrevivo en los barzitos!"


"O mercado dos barzinhos não anda muito agradável: depois que teve esse lance da lei seca o movimento diminuiu, o lucro dos bares diminuiu e os primeiros que se ferraram foram os músicos. Temos também vários problemas com pagamento e estrutura, mas isso tudo pode ser
minimizado com algumas medidas.

- Em primeiro lugar, faça um levantamento dos bares de sua região que têm música ao vivo - e saiba quem é a pessoa responsável pela contratação do músico.



Depois, grave um CDemo simples, porém, caprichado, com 6 músicas no máximo e escreva um breve release seu (quando você começou a tocar, quem foram seus professores, suas influências, etc.). Deixe esse "kit" nos barzinhos.

Quanto ao trampo:

- tente conhecer o máximo possível o público do bar. Se der, vá uma noite lá tomar uma cerva e observar a galera, o tipo de som que rola, etc.

- divulgue o melhor que puder. Encha o saco dos amigos e da parentada!

- procure formar um repertório bem eclético: desde o que tá tocando no rádio até umas "pérolas" que todo mundo gosta, mas pouca gente canta.

- cuide bem do seu equipamento: tenha um bom violão, cabos em bom estado, cordas relativamente novas, etc. Isso tudo, além de melhorar o som, sempre dá uma impressão melhor.


E, mais importante que TUDO:

- vão existir noites em que tudo vai ser perfeito...
... outras em que tudo vai ser bizarro...


... outras que começam horríveis e terminam ótimas e vice-versa. Não deixe NUNCA sua auto-estima artística se abalar por causa de um dia ruim. Claro, quando eles acontecerem, sempre convém repassar o que aconteceu e, se possível, melhorar. Mas não se abale, isso é super normal.

- também vão existir noites em que o público vai cantar junto, dançar, se empolgar. Outras em que a porção de batatinhas disputa a atenção com você e ganha. Também não se abale com isso - é a cultura brasileira. Faça o seu melhor sempre, mas esteja ciente de que não é todo público que reconhece e aprecia isso.

- estude não só a técnica que cada música vai te exigir para ser bem executada: estude principalmente o que cada acorde, o que cada passagem diz no seu coração. Estude a letra, traduza-a, procure no dicionário palavras que você não conheça, estude sobre seu compositor,
seu intérprete, seu contexto histórico: absorva a música por inteiro, transforme-a em algo totalmente pleno de significado pra você. Sempre que você tocá-la, vai sentir de uma maneira muito mais intensa toda a emoção e, conseqüentemente, vai transmiti-la melhor e mais claramente. E, ainda por cima, mesmo quando ninguém no barzinho estiver prestando
atenção em você, a sua relação com a música que vc vai tocar será tão forte que acaba minimizando bastante esse "abandono".

- procure olhar nos olhos do público e transmitir tudo isso também com os seus olhos. Eles são espelhos da alma - ok, a frase é cafona, mas é muito importante que todo artista tenha consciência disso.


Quantos aos barzinhos:

- procure SEMPRE fechar um cachê fixo. Couvert sempre é furada: vc não tem como checar. Por mais que tente prestar atenção ao mesmo tempo no público que entra e no seu trabalho, uma hora algo dá errado, hehehe. Por mais que pareça atraente fechar couverts de sexta ou sábado, além você nunca ter certeza da grana de que vai dar, também você nunca pode ter certeza da grana a que você, realmente, tinha direito.



"Eu disse, Jack... couvert é furada, parceiro!"


- veja o cardápio antes de fechar uma consumação mínima pra você. Tem dono de bar que é muito filho da p... e quer te dar 10 contos de consumação... sendo que com isso vc não come nem um lanche vagabundo.

- cheque a aparelhagem de som do lugar e, se vc tiver que levar, aumente seu cachê.

- negocie estacionamento qdo for de carro para o lugar.

- estabeleça cachês por tempo de show (2h é tanto, 3h é tanto, etc.)


Desejo MUITO BOA SORTE a você!! E que, se esse é seu sonho, que você consiga realizá-lo da melhor forma possível! Sucesso, cara! Estarei na torcida!"

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mais ainda do Raul

Ok, falando sério sobre Raul Seixas agora: segue para os fãs do Maluco Beleza um link do trecho do artigo que meu amigo Luiz, o maior "raulzófilo" do Brasil, escreveu sobre o cara!

http://revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1719

Agora dá pra tocar Raul com muito mais cultura!

Mais do Raul


Mais tirinhas sensacionais em www.vidabesta.org/tiras

terça-feira, 3 de junho de 2008

Crianças, sempre elas!

- Tia, você sabe tocar alguma do Balão Mágico?

O pedido veio de uma piquininha com um baita ursinho Puff nas costas, em forma de mochila. Sapatinho rosa, cabelos castanhos lisos, com franjinha. Um sorrisão no rosto.

Estava com sua família, uma das únicas que estavam no resataurante naquele dia. Não era pra menos: além de estar estupidamente frio, ainda era o último capítulo da novela das oito. E, ainda por cima, na seqüência, haveria jogo da seleção brasileira. Duas instituições desse país em total evidência: novela e futebol. Como um músico poderia competir com isso?

Mas a menininha estava lá, firme e forte, olhando para o rosto surpreso da musicista e esperando a resposta, bem como as cerca de dez pessoas de sua família que estavam à mesa

E a musicista, criança dos anos 80, sentiu-se imensamente feliz em quebrar a rotina de Anas Carolinas, Djavans, Vinícius de Moraes (esse já vem no plural!) e quejandos para fazer todo mundo cantar que "No Balão Mágico o mundo fica bem mais divertido".

(A musicista não resistiu ao sarcasmo de dedicar a frase "Também quero viajar nesse balão" a Padre Adelir)

Foi o melhor encerramento de primeira entrada possível. E, para a segunda, outra surpresa vinda da pequena:

- Tia, você sabe tocar "Carimbador Maluco"?


- Tem certeza de que você não nasceu nos anos 80?

Ela riu e respondeu que, sim, tinha certeza de que tinha menos de 25 anos. Foi convidada pela musicista para cantar o refrão com ela. Mandou muito bem! Aplausos gerais da família coruja - e também de todo o restaurante. Ela era uma gracinha mesmo! E, claro, mandou seu "Toca Raul!" da maneira mais original possível:

- Plunct Plact Zuuuuuuuuuum! Não vai a lugar nenhum!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Eles não tocam Raul

Ele pode ser O Maluco Beleza, ele pode ser A Metamorfose Ambulante... mas o fato é que nem todos tocam Raul. Podem pedir, escrever, implorar... eles se recusam!

Uns levam com bom humor, contam uma piada e desviam o assunto. Mas têm uns músicos que sentem o sangue ferver quando o inevitável "Toca Raul!" se faz ouvir em meio ao público. O pai de uma amiga minha, roqueirão das antigas e fundador de uma excelente banda de covers de classic rock, chegou a fazer um discurso anti-Raul inflamadíssimo... e ainda mandou o autro do pedido tomar na rima do Raul...

A banda goiana Pedra Letícia contou uma versão da história dos que não tocam Raul. Aqui tem um vídeo da música "Eu não toco Raul" e, abaixo, a letra do hino.




Eu não toco Raul
Fabiano Cambota

Em todo bar que a gente vai tocar
Tem sempre lá no canto um cara com a barba por fazer
E a camiseta com a cara do Chê,
Um buraquinho nela onde havia a estrelinha do PT
A namorada dele você vê,
Batinha indiana, coturno, bermuda saint-tropez
Pede um papelzinho pra escrever
Tira uma caneta de dentro da bolsa de crochê
Rabisca um guardanapo com a bic azul
Escreve um bilhetinho assim: Toca Raul!

Eu não toco Raul
Vocês me desculpem...
Eu acredito quando você diz que ele é legal
Eu não toco Raul
Vocês não me culpem
A banda preza pelo estilo Sidney Magal

E aquele alquimista nada a ver
Viagens no diário de um mago, mais falso que um Menudo
Essa idolatria por Raul, parece aquela velha opinião formada sobre tudo
Não adianta implorar pro seu guru
Não adianta esbravejar: Toca Raul!

Eu não toco Raul
Vocês me desculpem...
Eu acredito quando você diz que ele é legal
Eu não toco Raul
Vocês não me culpem
A banda preza pelo estilo Sidney Magal

Mas quando eu virar um astro,
Com a minha guitarra e uma prancha do lado,
Eu quero ouvir você gritar num bar: Toca Pedra Letícia!

Eu não toco Raul
Vocês me desculpem...
Eu acredito quando você diz que ele é legal
Eu não toco Raul
Vocês não me culpem
A banda preza pelo estilo Sidney Magal

Pra quem quiser conhecer mais essa banda: www.pedraleticia.com.br e o blog do Fabiano Cambota: www.cambota.zip.net


PS: Muito obrigada ao Henrique, pela dica desta música!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A mística do "Toca Raul!"

Reza a lenda que, um mago nascido a dez mil anos atrás, teve uma visão incrível quando uma mosca pousou em sua sopa, fugindo de duas aranhas em pé de guerra:

- Eis que nascerá em um imóvel que está para alugar em uma sociedada alternativa um grande maluco beleza. Ele venderá seu ouro de tolo para Al Capone, prometendo que irá curá-lo de seu medo da chuva. Ele irá encaminhar para o metrô linha 743 aqueles que perderam o trem das 7. Ele fará seu amigo Pedro, um legítimo cowboy fora-da-lei, passar por uma metamorfose ambulante e virar uma menina de amaralina. Ele é aquele que, no dia em que a Terra parar, há de gritar 'Abre-te, Sésamo!' e algo mágico acontecerá nesse momento.
Ao gritar, ele há de se transformar em som para que, toda vez que houver um violão, toda vez que houver um microfone, toda vez que houver um bendito dum músico se apresentando, a multidão, embalada por sua memória ancestral, há de pedir insistentemente:



- TOOOOOOOCA RAUUUUUUUUUUUUUUUUUL!!!!!!


Essa é uma piada que o pessoal da equipe do Blog do Barzinho costuma fazer em seus shows sempre que o infalível "Toca Raul!" se faz ouvir. Mas tem gente que levou isso bem mais a sério. Artistas covers especializados ganham a vida tocando só Raul. Tem uma passeata que acontece todo ano em agosto, a Passeata Raul Seixas - que, segundo os próprios participantes, é a única passeata do mundo em que ninguém reivindica nada em lugar nenhum: é apenas um grande encontro da horda roqueira de Raul. E tem até tese de doutorado sobre ele! E pra aquele que provar que eu tô mentindo, eu tiro o meu chapéu, ops, quer dizer... pra aquele que quiser conferir, aqui está o link do trabalho de Luiz Lima (autor da tese):

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9023318&sid=20024502410123464429356860&k5=3A18F214&uid=


Mas, no ringue de "Toca Raul", quem realmente mandou muito bem foi o grande Zeca Baleiro, com essa letra muito bem sacada:

Toca Raul!
Zeca Baleiro

Mal eu subo no palco
Um mala um maluco já grita de lá
-Toca Raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar
Mas aí eu paro penso e reflito como é poderoso esse Raulzito
"Puxa vida esse cara é mesmo um mito!"

Em todo canto que eu vou
Tem sempre algum grande fã do cara
É quase uma tara
Jovens velhos e crianças
Malucos e caretas
Parece uma seita
Por isso eu paro penso reflito como é poderoso esse Raulzito
"Puxa vida esse cara é mesmo um mito!"

Agora toda vez que algum maluco beleza gritar
-Toca Raul!
Eu saco esse ás da manga
Esse coelho da cartola essa carta da tanga
Essa balada-quase-rock com pitadas de forró
E nenhum sentimento blue
Pra nunca mais ter que ouvir
Alguém gritar e pedir:
-Toca Raul!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Às vezes não dá...2

No post anterior, vimos que, às vezes, o músico fica numa saia justa por não saber alguma música pedida pelo público. Acompanhem a situação em que esse amigo do meu amigo acabou se envolvendo.

Vamos à reconstituição em guardanapos da história que aconteceu esse amigo do meu amigo... praticamente um "Linha Direta" blogueiro, pois os bilhetinhos originais foram jogados com muito gosto na lata do lixo.


Estava esse amigo de um amigo meu fazendo o seu som em uma casa em que ele nunca tinha tocado antes. Tudo estava correndo normalmente, até que chega-lhe às mãos o seguinte pedido:





O amigo do meu amigo, educadamente, pediu desculpas no microfone


- Sinto muito... essa eu vou ficar devendo. A pessoa que pediu essa, por favor, peça outra que eu vou tentar!


Uns poucos minutinhos depois, veio um outro guardanapo com os seguintes dizeres:




O músico respirou fundo, engoliu o sapo-boi e combateu o nervosismo com profissionalismo. Levou o show normalmente (o show não pode parar!) e, quando tudo parecia bem, mais uma "delicadeza":







Como fizemos a reconstituição a la "Linha Direta", não poderia faltar o depoimento!


"Juro que fiquei muito, mas muito p... da vida. Mas a casa era nova pra mim e já era fixa, eu estava fazendo um bom trabalho (tanto que toco até hoje por lá). Não seria legal bater boca com um cliente. Acontece que, ao não bater boca, a coisa te remoe!!! Eu, de madrugada, já deitado pensando: 'Caramba, meu repertório tá com mais de 200 músicas. Canto de tudo e o cara me xinga por causa de uma música da Zizi Possi!!'. Viro para outro lado e penso de novo: 'Caramba, já acompanhei vários cantores nesta cidade!! Mais velhos e mais experientes que eu!! Não me lembro de ter tocado uma vez só Asa Morena com ninguém!!! Nunca. jamais!!!'. Viro de novo!!!Sentei na cama e tive o último pensamento que finalmente me trouxe a paz: 'Em homenagem aquele gentil senhor, decido o seguinte: JAMAIS EM MINHA VIDA, POR MOTIVO NENHUM, NEM QUE ME PAGUEM TOCAREI ASA MORENA!!!!A Zizi Possi, (que canta muito) há de me perdoar!!!!!'. Dormi legal."


É, minha gente... uns agüentam desaforo do chefe... músico recebe-os via guardanapo...






PS: Essa é uma das histórias que o Edy, músico de São José dos Campos, cantor, baixista e violonista tem pra contar! Mande a sua para nós também! E muito obrigada, Édy! Espero que a criatura da "Asa Morena" tenha voado pra bem longe com seus desaforos! Sucesso pra você!

domingo, 20 de janeiro de 2008

Às vezes não dá... 1

No primeiro post do marcador "Toca Raul", eu falei sobre a alegria de tocar uma canção que agrade a todos... mesmo quando a gente já não agüenta mais interpretá-la.

Em contrapartida, há momentos de decepção quando não sabemos o pedido de música que vem, caprichosamente, escrita no guardanapo.



"Cantora, estamos aqui por causa da sua música, porque a grana tá curta, mas vale a pena. Sorte pra você na sua vida. Se der, a última: A lua que eu te dei - Ivete Sangalo. Beijos, Guilherme e Antônia"

Tem uns que, pra ajudar, colocam um trechinho da música como esse aqui:




"Parabéns, seu repertório é muito bom MARAVILHOSO. Por favor, toque essa música que não sabemos o nome: Marisa Monte - e no meio de tanta gente eu encontrei você, entre tanta gente chata sem nenhuma graça"

Mas tem horas que não dá...

A gente fica sem graça, pede desculpas, oferecemos outra música do mesmo cantor, procuramos um jeitinho de não decepcionar. Na maioria das vezes, tudo se resolve bem. Mas um amigo de um amigo meu passou por um aperto lascado por causa dos famosos pedidos no guardanapo...



Veremos no post acima!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Férias?

Sim, eu tentei! Já que passaria quase uma semana na praia (a contragosto), achei que seria um tempo de férias totais do barzinho. Férias são bem-vindas e, muitas vezes, mais uma questão de necessidade do que luxo. Dando um tempo no repertório e na rotina, na volta, a gente acaba retornando com mais pique e até com uma certa saudade do que, antes, parecia que tinha virado tortura. Estava eu, então, lendo tranqüilamente e estava começando a bater aquele soninho gostoso quando escuto uma voz masculina, acompanhando-se ao violão (a todo volume) cantando:

- E eu não sei paraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar de te olhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar... não sei paraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar... de te olhar...



Mesmo tendo certeza do que iria ver quando abrisse a janela, não queria acreditar. Mas fui certificar-me da origem daquele som tão absurdamente familiar do qual eu não queria chegar perto naquela semana:

- Eu mereço! Abriu um barzinho na esquina!

Ouvi um "toca Raul!" ainda sóbrio. Eram cerca de nove da noite. O som seguiu com uma boa qualidade (o músico era muito bom) e um volume altíssimo até cerca de duas e meia, três da manhã. Trabalho puxado, com poucos e curtos intervalos. Acabei ouvindo o show inteiro (não dava pra não ouvir) e só não gostei de uma seqüência meio bizarra de "Volare" com "Praieiro" (!!!!). Também tentei tapar os ouvidos a todo custo quando começou uma seqüência de Ira!, mas aí a culpa não foi, de modo algum, do músico - eu é que detesto essa banda. Principalmente a música do "um metro e sessenta e cinco de sol". Existem formas bem mais inteligentes de homenagear uma mulher baixinha a quem se ama... mas isso não vem ao caso.

No dia seguinte, conversei com a dona do lugar, perguntando se não dava pra abaixar um pouquinho o volume do som. Bastante solícita, ela me contou que, muitas vezes, ficava no pé do músico pedindo pra abaixar e, quando virava as costas, o cara sentava o dedo no botão de volume. Sei que ela não mentiu - ou por falta de retorno adequado, ou por pura teimosia, o pessoal faz isso mesmo. Soube, também, que a paga era por entrada (em outras palavras, uma merreca, pois o bar era pequeno). Muita gente aproveitava para sentar-se no quiosque em frente, tomando uma cervejinha mais barata e curtindo o som do mesmo jeito - e vi alguns até pedindo músicas! Ou seja: o público pagante era só uma pequena parcela do público total pois, querendo ou não, além do pessoal do calçadão, no mínimo dois prédios (entre eles, onde eu estava) ouviam perfeitamente tudo o que era executado. E, como todos sabem, no fim/ começo de ano, a praia é um lugar bastante lotado.

Depois das três, com um relativo silêncio quebrado freqüentemente por criaturas ouvindo funk carioca no último volume em seus carros, conseguia pegar no sono. Caramba! Meu trabalho me persegue!

PS: Esse macaquinho é tudoooooooo!!! Diz aí!!!




quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Toca aquela do...

Todo músico do barzinho faz o possível pra atender todos os pedidos que chegam nos guardanapos, papéis de promoção do restaurante ou até mesmo berrados do fundo do bar. É um prazer grande quando a gente consegue deixar o cliente feliz ao ouvir a sua música, sorrindo, cantando junto... enfim, sempre é uma satisfação deixar as pessoas contentes com o seu trabalho.





Entretanto... tem umas músicas que ninguém agüenta mais tocar ou cantar pela simples razão de que esse som tem que estar presente praticamente toda santa noite no repertório. Muitas dessas canções já têm décadas... e, há décadas, o músico a toca e canta. Eu digo pra vocês: uma hora enche a paciência e a gente tem que segurar a vontade de dizer "ah não! De novo essa música não!"


São músicas de qualidade incontestável, que muitas vezes fizeram parte de momentos importantes da história de sua geração. Muitas com harmonias fantásticas, melodias lindas , arranjos bacanas, etc. Mas é como se você tivesse que comer o seu prato preferido todo dia: por mais que você aprecie, chega um ponto em que não dá mais pra agüentar.


No entanto, sempre é contagiante a alegria do público quando a gente toca determinada canção e vê uma alegria geral pintando nos olhos de todo mundo! E, assim, a gente sempre acaba tendo uma energia renovada para mandar ver na música... e acaba transformando o tédio da milésima interpretação na satisfação de saber que o público está feliz! E, principalmente, saber que alguém vai se lembrar de um momento especial de sua própria vida a cada acorde dessa música... por mais manjada que ela seja.

Segue a lista das mais pedidas!





Chão de giz - Zé Ramalho
Garota de Ipanema - Tom & Vinícius
Meu erro - Paralamas do Sucesso
Pais e filhos - Legião Urbana
Eu sei que vou te amar - Tom & Vinícius
Será - Legião Urbana
Tarde em Itapoã - Toquinho & Vinícius
Flor-de-lis - Djavan
Como nossos pais - Elis Regina
Malandragem - Cássia Eller
É isso aí - Ana Carolina e Seu Jorge
Fico assim sem você - Adriana Calcanhoto
Garganta - Ana Carolina
Mercedes Benz - Janis Joplin
Oceano - Djavan
Se - Djavan
Te devoro - Djavan
Whisky a Go Go - Roupa Nova


... e, claro... TOCA RAUL!!!!!!!!!!!!!!!!