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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vânia Valerie* responde

Alô, doçuras!
Tia Vânia Valerie* foi visitar sua talentosa prima Mathildhe Christhina e voltou pela Marginal do Tietê, pegando a ponte errada e dando a volta no mundo.
Ainda assim, com um sorriso no rosto, aqui estou para responder às perguntas dos músicos e internautas. Aproveitando o fio da meada, agradeço a paciência e o carinho de vocês (Bárbara, obrigada pelo selo, querida!) que clicam aqui todos os dias, mesmo quando essa palerma da Gigi fica jogando Free Cell ao invés de atualizar o blog.


Vamos, então, elucidar duas questões que fazem vocalistas arrancarem os cabelos!

1- Tia Vânia, esqueci minha pasta de letras e não tenho como voltar para pegar! E agora?


Não se desespere, temos várias alternativas:

Caso haja uma lan house por perto e você tenha dérreal na carteira

Solte três rojões e agradeça a Santo Expedito pela graça alcançada. Entre em qualquer site de compilações de letras e imprima todas as 75 do seu repertório que você não sabe de cor.

Caso não haja lan house ou dinheiro

Se o show for em circuitos culturais alternativos, diga que esse show irá levar todos a uma reflexão sobre a inocência perdida e a infância desestruturada. Cante "Parabéns a você", "Atirei o pau no gato", "Borboletinha tá na cozinha" e brinque de palminhas com a plateia. No bis, faça um medley de "Ciranda, cirandinha" com "Caranguejo peixe é", que são bem animadas.

Caso seja um bar mais tradicional, atrase um pouco o show para dar tempo de as pessoas beberem mais. Assim você poderá traduzir letras do inglês para o embromês sem que ninguém perceba muito bem. Resolva o problema das letras em português cantando só as frases ou palavras que você sabe e gritando "AGORA SÓ VOCÊS!!!!". Todos vão cantar juntos, felizes e adorando o cantor interativo, que faz a plateia participar tão intensamente do show.

Sugiro também comprar ginko biloba para melhorar a cabecinha de vento: se você não memorizar as letras, pelo menos, vai se lembrar de pegar a droga da pasta.



2- Tia Vânia, vivo pedindo para o baterista e o guitarrista da minha banda tocarem mais baixo e eles me ignoram. Deixo o volume do microfone o mais alto possível e mesmo assim não consigo me ouvir. O público sempre reclama que não consegue ouvir nem entender o que eu canto. Saio rouco dos ensaios e shows. O que eu faço?


Cientistas de uma renomada faculdade concluíram um estudo em que expuseram o mesmo número de bateristas, guitarristas e paredes ao estímulo "abaixar volume". O número de paredes que atendeu ao pedido foi 66% maior que dos guitarristas e 87.3% maior que dos bateristas.

Em suma, arrume uma caixa de som ou um fone de retorno exclusivo para voz para, pelo menos, você não ficar rouco - porque o público nunca vai conseguir te ouvir quando tem um ogro surrando uma bateria e outro colocando o volume do amplificador no 10.



Vingue-se em oito passos simples:



1 - use protetores de ouvido (desses de natação);
2- dê um jeito de escondê-los (capuz, gorrinho estilo Chaves, cobrir com cabelo, etc);
3- certifique-se de estar próximo à mesa de som, de modo que você possa controlar o volume do seu microfone;
4- ensaie normalmente. O protetor não vai isolar totalmente o barulhão que o povo da sua banda faz e você não vai perder as referências;

5- quando o ensaio começar a ficar alto demais, aumente TODO o volume do seu microfone, gerando aquela microfonia INSUPORTÁVEL (lembre-se de que você estará com seus protetores de ouvido e esse barulho não será tão estorvante para você);

6- continue cantando como se nada estivesse acontecendo até alguém parar de tocar para te xingar e pedir para abaixar;

7- sorria malignamente e diga que tá todo mundo com o ouvidinho muito sensível;


8- repita o procedimento até todos aprenderem que volumes altos não são legais.

Enfim, bêibis, espero que as dicas sirvam a todos os "canários". E, por favor, se alguém aplicar os Oito Passos da Vingança, não deixe de dar seu depoimento.

Mais uma coisinha: Gigi sairá do Free Cell toda quinta feira, das 20:00 às 21:00 para participar do programa Trianon nos Esportes. O quadro "O som do esporte" sempre vai trazer uma curiosidade relacionada aos dois universos. Então, quem for de Sampa, sintonize 740 AM e confira!

E agora vou, que Morfeu me abre seus braços.


*pronuncia-se Valerrí

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Jabás & hot news - por Vânia Valerie

Alô, doçuras!

Tia volta cheia de saudade, mas com pouco tempo. Então, vamos aos jabás e às hot news:

Blog do Barzinho leva Giovana Vincenzi a integrar o elenco do curta metragem Mezzaluna



Rodrigo Yoshizumi, do Espaço em Branco, diretor de fotografia e roteirsta da Malagueta Produções, veio tomar uma breja aqui e achou a Gi cantando no My Space. Viu que ela também é atriz, convidou pro teste e ela passou!

Ora, ora, ora! O Barzinho se metendo na sétima arte! Aliás, creio eu que muitos posts aqui dariam um belo filme! Quem se habilita?


Estás a fim de gravar suas músicas? Precisas de jingles, trilhas, spots? Queres fazer uma espera telefônica decente para o cliente que te liga não ouvir aquele silêncio maldito do outro lado da linha? Então, que esperas tu? Liga para a Is Us e fale com o Roger Menn ou com a Gi: (11) 2807-0245 ou (11) 2509-9638.

Lady Gaga veste máscara na coletiva de imprensa

A quem vai essa homenagem, gata? Marilyn Monroe? Michael Jackson? Ninja Gaiden? Sub Zero? Gripe Suína?

Em tempo... e o kiko?

Crianças e crianços, tia está perdendo a batalha contra Morfeu. Vou, mas volto.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mais frases esdrúxulas

Após um longo e tenebroso inverno, eis que volta tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") com uma coleção fresquinha de frases cretinas do nosso amado cancioneiro tupiniquim!

A primeira é uma excelente sugestão dada pela Luíza no comentário do último post:


E subo bem alto pra gritar que é amor / Eu vou de escada pra elevar a dor"
Elevador - Ana Carolina




Vejam só que bacana: indo de escada você trabalha os músculos da perna, dos glúteos, aumenta sua frequência cardio-respiratória e ganha inspiração para fazer um dos refrões mais grudentos (e imbecis) da moderna música brasileira! Sacou o trocadilho "elevar a dor/ elevador"? Hein? Hein? Hein?


"Vem me fazer feliz porque eu te amo/ Você deságua em mim e eu oceano"
Djavan


E aí gato? Me mostra seu delta que eu te mostro meu estuário, topas? Tô numas de ver a sua foz, que tal?


"Quase nunca a vida é um balão"
Lulu Santos


Definitivamente, eu começo a achar que Lulu é esquisofrênico! Como pode alguém escrever essa estrofe linda:
"Hoje eu não consigo mais me lembrar/ De quantas janelas me atirei/ E quanto rastro de incompreensão/ Eu já deixei /Tantos bons quanto maus motivos/ Tantas vezes desilusão"

... e terminar falando de um maldito balão???????????


Que cazzo o balão tem a ver com a história? Teria nosso querido letrista traumas quanto às festas juninas? Sonharia ele com a volta ao mundo em 80 dias? Gostaria que a vida fosse como nas músicas de Simony, Jairzinho, Toby e cia?



E o que dizer da clássica do Kid Abelha:

"Fazer amor de madrugada/ Amor com jeito de virada"
Kid Abelha - Pintura íntima

A frase é tão absurda que chega a ser engraçada. É tão ruim e tão nonsense que até o Leoni, pai da criança, sente vergonha de tê-la feito!

Calma, não se deseseperem! Eu sei que vocês estão com saudades do nosso "muso"! Para fechar com chave de ouro, senhoras e senhores, ele!


"Repique tocou, o surdo escutou/ E o meu corasamborim"
Tribalistas - Carnavália



Muito me surpreendeu o fato do repique ter "tocado" e não "repicado"! E, vejam vocês, que lindo milagre de Carnaval: "O SURDO ESCUTOU"! Provavelmente, restaurou as batidas no tímpano! Rá! Sacaram? Surdo, percussão, tímpano? Hein? Hein?

Próximos milagres programados na orquestra de Brown: o crescimento do baixo e o ligamento das trompas.

PS: Preciso mencionar o "Corasamborim"? Não, né?

Para não cansar a beleza, tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") vai aos braços de Morfeu.

Até a próxima, crianças!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Frases esdrúxulas da MPB - 3º round

Eis que tia Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e joga na rede mais frases espetacularmente imbecis do nosso querido repertório do Barzinho.

Permaneçam com medo.


"Não vi mais a gata mas tenho minha gaita pra me consolar"
Natiruts - Andei só



Reza a lenda que, dentre as opções constavam as frases: "Não fiz mais a falta mas tenho minha flauta pra me consolar", "Não tenho mais pano mas tenho o piano pra me consolar" e "Não fiz gambiarra mas tenho a guitarra pra me consolar". Tsc tsc...

"Eu vou viver dez/ Eu vou viver cem/ Eu vou viver mil/ Eu vou viver sem você"
Caetano Veloso - Não enche


Deus salve os múltimos de dez! Viva a poesia exponencial! E detalhe para o cem/sem! Sacou? Hein? Hein? Hein? E, na mesma música:


"Sanguessuga que só sabe sugar"
Caetano Veloso - Não enche
E que cazzo Caetano espera que uma sanguessuga saiba fazer? Extrair a raiz quadrada de pi? Dançar hula-hula? Girar a antena pra ver se a imagem melhora? Perguntar se o sabiá sabia assobiar?


"Somos do interior do milho"
Paralamas do Sucesso - Uma brasileira
Composta por Carlinhos Brown




Olha ele aí de novo! Não sei como pude me esquecer de citar essa pérola in-crí-vel! O que será que nosso amigo quis mistificar dessa vez? Estaria Brown escrevendo a biografia dos Sucrilhos? Seria um documentário sobre a vida de uma pipoca? Um estudo sobre as angiospermas?




Quem dá mais?


Agora vamos à uma análise complexa a respeito de Lulu Santos e sua Tudo Azul. A coisa começa basicamente com uma festa hippie-tropical:

"Tudo azul/ Todo mundo nu/ No Brasil/ Sol de norte a sul/ Tudo bem/ Tudo zen"


foto: Spencer Tunick

Meio besta, mas tudo bem... passa. Aí vem uma estrofe linda (principalmente a última frase) e você pensa que nem tudo está perdido:


"Meu bem/ Tudo sem/ Força e direção/ Nós somos muitos/ Não somos fracos/ Somos sozinhos nesta multidão/ Nós somos só um coração/ Sangrando pelo sonho de viver"




Uau! A sequência disso, teoricamente, é algo lindo!


Teoricamente, porque, do nada absoluto, a maionese desanda, o trem descarrilha, a batata assa, a chapa esquenta e a casa cai:

"Eu nunca fui o rei do baião/ Não sei fazer chover no sertão/ Sou flagelado da paixão/ Retirante do amor/ Desempregado do coração"



Crianças, por favor, respondam para a tia:

1- O que é que "todo mundo nu" tem a ver com o baião?

2- O que é que o "sol de norte a sul" tem a ver com estar "desempregado" do coração?

3- Como pode estar tudo zen se o coração está sangrando pelo desejo de viver e, ainda por cima, desempregado? Aliás, será que o coração desempregado poderia ir ao Poupatempo e dirigir-se a um dos postos de atendimento ao trabalhador?

4- O que o fato de não saber fazer chover no sertão tem a ver o resto da música?

5- Desde quando alguém confunde Lulu Santos com Luiz Gonzaga a ponto de precisar dizer que não é o rei do baião?

caricatura Lulu: Gabriel Correa. A do Gonzagão não tem créditos


Alguém arrisca?


Antes que dê grilo na cuca, tia Vânia se vai, mas volta em breve.



PS: Gostou das análises? Tem mais "pérolas da MPB" aqui, aqui, aqui e aqui!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Outras frases horríveis da música brasileira

Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí") tira a poeira do toca-discos e continua com o compêndio de frases esdrúxulas do cancioneiro tupiniquim. Tenham medo.

"O bem-te-vi bem te viu, o sabiá sabia já"
Gonzaguinha em "Lindo lago do amor"




Melhor que esses trocadilhos só "E a vida, ela é MARAVIDA ou é sofrimento?", de "O que é, o que é" (a clássica: "Viveeeeeeeeeeeeer e não ter a vergonha de ser feliz..."), do próprio Gonzaguinha. Será que o sabiá sabe assobiar essas duas músicas?


"Um brinde ao destino! Será que o meu signo tem a ver com o seu?"
Cláudio Zoli (Banda Brylho) em "Noite do Prazer"



E aí, gato? Vamos colocar nossos planetas em conjunção? Tô numas de conhecer seu ascendente, topas?


"Quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar, fazer borbulhas de amor pra te encantar"
Raimundo Fagner em "Borbulhas de amor"



Uns chamam a "dita cuja" de "aquário", outras de "lindo lago do amor"... mas BORBULHAR é cruel, hein?



"Eu sempre me lembro daquele verão: final de novembro e você ainda não sabia se gostava de mim"
Fresno em "Uma música"




Diz a Wikipédia:

"O Verão do hemisfério norte é chamado de "Verão boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Verão austral". O "Verão austral" tem início com o solstício de Verão do Hemisfério Sul, que acontece cerca de 21 de Dezembro, e finda com o equinócio de Outono, por volta de 20 de Março nesse mesmo hemisfério."


Em outras palavras...


O VERÃO NÃO COMEÇA EM NOVEMBRO!!!!



" Eu não tô nem aí, eu não tô nem aqui pro que dizem, eu quero é ser feliz"
Jorge Vercilo em "Final feliz"



Ooooooooooooooooooooooooooh!


E, como tudo o que está ruim sempre pode piorar, mais um torpedo de Scandurra e Nasi:



"Um metro e 65 de sol"
Ira! em Girassol


Tia Vânia Valerie vai dar um beijo de aniversário na Giovana Vincenzi.

E desejo um GRANDE, LINDO E MARAVILHOSO 2009 pra todo mundo!

O show do Reveillón está exigindo um tempinho maior de ensaio, então, volto a passar por aqui só no ano que vem.

Mais memês respondidos, mais guardanapos da galera, mais histórias doidas!

E, antes de qualquer coisa, MUITO OBRIGADA pelo carinho de todos vocês nesse ano que passou!

Que o Barzinho siga firme e forte!








sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tijolos poéticos de Carlinhos Brown


De volta e chutando, Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí").


No capítulo anterior, vimos algumas barbáries líricas cometidas por Nando Reis, a galera do Ira! e do Nenhum de Nós. Agora vamos a um nome que merece um post à parte. Ele toca muita percussão, é um gênio em idéias musicais... mas na hora em que abre a boca e/ou escreve letras... salve-se quem puder. Parceiro de Caetano Veloso, Sepultura, Marisa Monte, Paralamas, Daniela Mercury e mentor da Timbalda. Sim! Ele mesmo!! É o Carlinhos Brown (ou Carlito Marron?)! Analisemos várias amostras de seu trabalho para tentar achar um pingo de nexo (um pinguinho bem inhozinho já vale!!!!!) em alguma coisa que ele escreveu.




Vamos começar com a salutar frase de "Uma Brasileira", composição que os Paralamas do Sucesso gravaram em seu álbum Vamo Batê Lata:



"E esse ão de são hei de cantar naquela canção one more time".


Vale a ressalva que, na música, a frase é cantanda, primeiramente por outro mestre do non-sense da música brasileira: Djavan. Mas, voltando à vaca fria, que diabos isso quer dizer? Hum... talvez seja porque, quando estamos gripados, não conseguimos falar o "ão" direito nem cantar e, ao ficarmos sãos, conseguimos pronunciar o fonema corretamente e conseguimos cantar mais uma vez ("one more time").



Inclusive, ele evoca o mesmo estado gripal em sua letra "Vitamina Ser" (sacou o trocadilho? Vitamina C/ Ser? Hein? Hein?)



"Pente, escova de dente, remédio para gripe, lavanda e sabão".



Minha mãe também escreve isso na lista da farmácia. E ainda há na mesma música a expressão "Oxum by me". Seria isso o espirro de um orixá? Uma tentativa de buscar a mesma sonoridade de "caxumba"? A mãe das entidades está gripada e, por isso, ao invés das tradicionais oferendas ele vai à Droga Raia comprar os itens da listinha acima exatamente como minha mãe compraria? Ou estaria Brown simplesmente ensinando inglês para Oxum tornar-se um ícone religioso internacional como Jesus, Maria e Maomé (porque ninguém se globaliza falando só português e iorubá). Por que causa, motivo, razão ou circunstância ele não deixa a esposa de Ogum em paz, by herself?????




Gostaria de incluir também uma música de Brown feita "pra pular" na voz de Daniela Mercury: Rapunzel, do álbum Feijão com Arroz. A parte instrumental da música é absurdamente boa, trocentos instrumentos, um rítmo forte, um arranjo muito bem feito... mas alguém, por misericórdia, pode me dizer o que vem a ser


"No calendário é flor e anda"?


E a Rapunzel entra na história junto com Romeu e Julieta dando um grito grão no bololô e sondando o brocotó do ti-ioiô, já que no barracão tem sossego. E vamo simbora na ladeira, vamo simbora na lagoa.



Reza a lenda que o simpático peixinho da Babel Fish, depois de tentar decifrar Carlinhos Brown, pediu demissão da Yahoo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Traduções medonhas - Astronauta de Mármore

Eis que volta Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí), em edição especial, para tratar de uma das piores traduções do nosso cancioneiro do barzinho. A saga de como "Starman" de David Bowie, virou "O Astronauta de Mármore".

Era uma vez que os fãs de Bowie sentiram vergonha alheia... mas o fato é que a tal banda se deu muito bem, sendo esse um dos seus principais sucessos. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, esse não é um atenuante para a tradução criminosa que eles perpetraram.





O mais brando dos aspectos do crime é o clássico erro gramatical:


"Vou lembrar do tempo de ONDE eu via o mundo azul".



Crianças... "onde" é indicativo de lugar; para indicar tempo, usa-se QUANDO. Certo professor?





Correto, Vânia!



Mas como até Vinícius de Moares deixou escapar essa em "Regra 3" ("Onde menos vale mais" - o certo seria "Em que menos vale mais"), vamos considerar isso uma passagem amena.

A parte mais assustadora da tradução em si vem agora. Pergunto-vos, senhores: como é possível que a frase original traduzida "É impressionante que você o escute também" sofra uma metamorfose tão grotesca a ponto de virar:


"As nuvens queimam o céu, nariz azul"






De onde vem o azul do nariz?? Ainda se o nariz fosse vermelho, poderíamos dizer: "quem sabe é uma analogia a um palhaço?" ou até mesmo "ah, ele é primo do Papai Noel e brinca com a Rena do Nariz Vermelho", ou ainda, "pobrezinho, ele estava muito perto do sol no espaço, não passou Sundown e ficou com o nariz vermelho" ou até mesmo "coitado, ele queimou o nariz na mesma nuvem que estava queimando o céu".






Mas azul????

O astronauta enfiou o nariz no frizzer??? O nariz de mármore do astronauta foi pichado??? É um astronauta-calouro que levou um trote e pintaram seu nariz de azul???



Ah!!! Já sei!!!!!! Vou escrever pro Marcos Pontes e perguntar se o nariz fica azul no espaço - mesmo porque ninguém ouviu mais essa música do que ele antes de voar, cantada por várias criancinhas que foram obrigadas a decorar essa letra horrível e fazer bandeirinhas na aula de Artes.







UPDATE:


Diretamente do site do "Nenhum de Nós", a versão dos réus, quer dizer, da banda:


A canção "O astronauta de mármore" é uma versão para língua portuguesa de uma canção feita originalmente em inglês pelo músico britânico DAVID BOWIE. Como nós somos fãs dele, sempre gostamos de suas músicas e resolvemos fazer a versão como uma espécie de homenagem. A letra em português - que nós mesmos fizemos - fala sobre o Major Tom que é um personagem que o próprio Bowie criou no seu primeiro sucesso Space Oddity (1969). Ele é de fato um astronauta e o Bowie voltou a escrever sobre ele em outra canção: Ashes to ashes (1981). A música original do Astronauta de mármore chama-se Starman (1971) e não fala sobre o Major Tom, então nós resolvemos escrever por nossa própria conta um novo capítulo na vida deste astronauta. Na música Ashes to ashes o Bowie colocou o problema que o Major teve com as drogas. Nós apenas colocamos a nossa visão dele sobre este mesmo problema e a sua saída dele através da fé em algo superior. A volta do espaço trouxe a ele uma nova visão do homem e de sua importância. A nossa letra faz alusões poéticas à droga e seu uso e este caminho de redenção que o Major Tom encontrou.


E aí? Quem paga o pato?

Vou... mas volto! Nos próximos capítulos, tijolos poéticos de Carlinhos Brown.




As piores frases da música brasileira - parte 1

Tia Vânia Valerrie (pronuncia-se "Valerrí") is back in town e disposta a comentar, em mal traçadas linhas, algumas barbáries da música brasileira.

Nem sempre as musas estão de bem com os poetas. Nem sempre a inspiração nos sorri e expõe seus encantos ao mundo através do artista. Às vezes, os misteriosos terrenos da criação não se mostram suaves e coloridos; mas, sim, um grande inferno de indefinições e desacertos. Moral da história: não adianta ter fama nem deitar na cama que, quando Calíope fecha a cara, guarde sua pena, poeta!




Aqui vai uma pequena compilação de frases horríveis da música brasileira. E não pensem vocês que as "pérolas" aqui enumeradas foram retiradas das músicas ditas "pra pular" - cujas letras já são propositalmente ruins porque ninguém tá a fim de papo-cabeça enquanto está pulando, fazendo coreografias imbecis e liberando endorfinas e cecê. Tem várias frases dos poetastros disfarçados de gurus da música brasileira, que são aplaudidos por pseudo eruditos e "descolados" em geral. Vamos a elas.

Começando com uma das piores da história, escrita por Nando Reis e que é tão horrível, mas tão horrível que nem a força da Cássia Eller conseguiu disfarçar o ridículo das palavras:




"Colombo procurou as Índias, mas a terra avisto em você".


Gente! O que é isso? E que ninguém venha com a desculpa de que é para dar um ar singelo e geograficamente correto! Singelo e gracioso é "estranho é gostar do seu All Star azul" - isso sim direto, simples e fofíssimo. É a frase que dá nome à música (All Star) e resume a idéia da canção: como coisas banais tornam-se tão belas quando vêm da pessoa que amamos. E, sendo essa a linda mensagem (sem ironia!), que cazzo Colombo tem a ver com isso???

O rock brasileiro dos anos 80 cometeu algumas maldades nesse sentido. Como exemplo, temos o Ira! e as frases bombásticas de Nasi, Scandurra e companhia:



"Se meu filho nem nasceu eu ainda sou o filho."





E desde quando alguém deixa de ser filho quando tem um filho? Eu até ia dizer que pode ser um daqueles casos em que a moça fica grávida antes do casamento e os pais, revoltados, expulsam-na de casa dizendo: "Nunca mais volte! Você não é mais minha filha!", mas isso não faz sentido porque a frase está no gênero masculino. Será que a palavra "avô" não tinha sido incluído no Aurélio quando eles compuseram essa música??



E quanto a passar a estrofe inteira de uma canção dizendo:



"Meu amor eu sinto muito, muito, muito mas vou indo/ pois é tarde é muito tarde e eu preciso ir embora/ sinto muito meu amor mas acho que já vou andando/ amanhã acordo cedo e preciso ir embora/ eu queria ter você mas acho que já vou andando/ outro dia pode ser mas não vai dar pra ser agora".

Parece uma tia velha e chata que você pensa que vai desligar o telefone e resolve perguntar da mãe, do pai, do vizinho, do cachorro, do papagaio. E nem adianta dizer "tchau tia, um beijo" porque ela vai perguntar tudo do mesmo jeito. Precisa levar seis frases pra dizer "tchau"???? Se é para fazer isso, que ouçam Demônios da Garoa e seu "Trem das Onze" pra saber como enrolar uma namorada na despedida com estilo!!!!





Eis que Vânia Valerrie (pronuncia-se "Valerrí") gira 180 graus e volta já já, no próximo post!


domingo, 16 de novembro de 2008

Post profético - 2009 em geral

Eu, Mãe Vânia Valerie (pronuncia-se "Valerrí"), visto meu manto, tiro o mofo do meu turbante, faço minha conexão discada para o além e recebo as seguintes informações relativas a 2009:



- O Corinthians não vai ganhar a Libertadores;

- algum assassinato chocante vai garantir a audiência dos programas "pinga-sangue";

- 99,9999% das pessoas não vão cumprir suas resoluções de fim-de-ano (principalmente a resolução de "emagrecer");

- 99,9999% dos políticos eleitos não vão cumprir suas promessas de campanha e,


TEREMOS UM REVIVAL DOS ANOS 90.



Agora eis que cai a conexão e, pra continuar descascando esse abacaxi, chamo a dona dessa banca. Saindo Lady Valerie (pronuncia-se "Valerrí") e entrando Madame Vincenzi.


Um, dois, três, salvo o mundo! Fui!








Valeu, Lady!

No início de 2008, foi lançado o excelente Almanaque Anos 90. O trabalho de Silvio Essinger é uma das mais poderosas ferramentas para esse revival - como foi o também excelente Almanaque Anos 80 para o revival de sua década.

Mais do que trazer à tona o tema "anos 90", a obra em si já é uma bela fonte de pesquisa do que iremos reviver em música, tevê, esportes (os 15 anos da conquista do tetra e da morte do Senna serão outros fatores que vão desencadear a moda), tecnologias, etc. É tudo o que os saudosistas entre 17 e 35 - querem para reviver sua infância e adolescência. Afinal, não só essa faixa etária é a predominante nas baladas: eles também ditam a moda (copiada pelos "coroas" para se sentirem mais jovens e pelos adolescentes para se sentirem "adultos") e são a maior parcela da população economicamente ativa, ou seja, é o povo que mais faz circular dinheiro.


E o que vai fazer esse povo sair de casa e tirar a mão do bolso é algo que mexa com seus corações, despertando memórias afetivas dos melhores momentos da vida: a infância (quem tem entre 17 e 21 anos cresceu vendo TV Colosso e Cavaleiros do Zodíaco) e a adolescência (quem tem entre 21 a 35 anos cresceu vendo Barrados no Baile e os primeiros programas da MTV). Temos aí o terreno perfeito para o revival desta década de 90.



Camisas de flanela e calças-bailarina voltarão às passarelas em "releituras atualizadas". "Vamp"," A próxima vítima", "Perigosas Peruas", "Quatro por Quatro" e outras novelas serão campeãs de busca no You Tube. Master System, Mega Drive e Nintendo 64 serão cultuados novamente. Quentin Tarantino terá seus filmes mais alugados do que nunca... e todos os aspectos que um revival deve ter.



E aí vem a parte que nos toca: 2009 trará um revival musical BIZARRO... e muito divertido. De Nirvana a Mamonas Assassinas, de Raimundos a Só Pra Contrariar.



Quem viver verá. No próximo capítulo, a música dos anos 90 no barzinho.