sexta-feira, 14 de março de 2008

Perdão pela ausência

Peço perdão a todos vocês pela falta de atualização; temos um bom e um mau motivo pela ausência.


O mau é que a vida nos barzinhos está difícil mesmo: sempre menos dinheiro do que a gente espera, sempre menos do que o que a gente acha que merece (e se esforça por merecer).


A boa é que, em breve, o CD "Cinco minutos de fama" estará por aí! Estou empenhando bastante tempo na gravação e ando com raríssimos momentos para postar.


Mas, prometo, em breve voltaremos ao rítmo normal de postagens, tá?

domingo, 9 de março de 2008

Nada

Mais um fim de semana sem guardanapos e sem dinheiro.

Vai indo bem mal a coisa no barzinho...

terça-feira, 4 de março de 2008

Guardanapos do fim-de-semana: 29/02 e 01/03

Que puxa!! Esse fim-de-semana não recebi nenhum guardanapo! Todo mundo pediu no grito mesmo!

Então, vamos recorrer ao arquivo:




É sempre uma delícia ver os amigos no barzinho! Mesmo quando eles tiram sarro da nossa cara junto com os elogios...

Essa história do "Claudinho dedicando a música para o "Buchecha" foi uma observação desse meu amigo "peste". Mas foi impossível não concordar que, quanto ao casal que pediu "Fico assim sem você", ele era a cara do Claudinho e ela era dona de avantajadas bochechas. De fato, foi bem difícil segurar a risada...



Este é o clássico estilo "imperativo". Cinco músicas de uma vez "pra agora"? Então tá, né..



Ah! Este veio compensar o anterior! "Por favor", "obrigado" e até um simpático "tchau"!


Que delícia esse: Bruce Dickinson, Rita Lee e Green Day no mesmo pedido! Eu é que agradeço ao pessoal da Sanfran por esse pedido! Toquei as três com gosto!


Esse eu recebi há muito tempo, acho que uns 4, 5 anos... e não entendi até agora se o cara quis me paquerar ou dizer que, apesar de feia, eu tinha algo de bom...

Falando em paquera... o próximo post será exatamente sobre isso!
Segunda (ou terça) que vem, mais "Guardanapos da semana".

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Estréia

Toda vez é a mesma coisa.



O frio na barriga, a secura da boca, os olhos que teimam em procurar todos os pontos, buscando um local de repouso... mas não acham. Olham tudo e todos ao mesmo tempo, num videoclipe insano, quase angustiante. Os músculos do rosto todos tensos. Alguém tem chocolate? Meu reino por um chocolate! Mas chocolate é ruim para a voz, hipótese descartada. Um chiclete, talvez? Ou melhor um Rivotril?

Melhor checar novamente: é 110 volts aqui, né? Tem certeza, né? O microfone está ligado? A mesa está com o volume, o violão está com bateria nova, o afinador está funcionando, eu trouxe a pasta com as letras? Meu Deus! O cabo do violão! Eu tirei da sacola! Acho que não pus de volta! Arranca tudo... não está na sacola! Ah não! Primeiro dia no bar e eu esqueço o cabo do violão! Bom, vou tirar o violão pra ver como eu posso microfoná-lo e... ufa! O cabo estava na capa! Então... tudo pronto?

Faltam cinco minutinhos que não passam nunca. Tento me concentrar ao máximo no aquecimento vocal e corporal... mas o casal da mesa próxima não está entendendo nada: estão vendo uma louca esticando os punhos e falando "brrrrrrrrrrrrrrr". Olham com estranheza (obviamente compreensível).

Tropeço. Derrubo a água. Bato o violão. Esbarro no microfone. Às vezes, tudo ao mesmo tempo.

Garganta seca. Mãos inquietas procurando as cordas.

Coração batucando forte, forte:

- Boa noite, pessoal! Vamos começar a trilha sonora da noite de hoje!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

MPB

Se de nada mais vale tentar, pra quê então viver?

Tornaram-nos peças-chave de destinos incertos, pois nossos ancestrais fizeram de propósito que julgaram ser para o bem da futura nação. Hoje sinto frio no verão e dor no amor.

Sempre ouvi dizer dos seres mais escrupulosos que a noite era pra vagabundos e que ser músico era, no mínimo, a ultima opção para que um ser humano gozando plenamente de suas faculdades mentais pudesse escolher... pois bem, como os “loucos”, ditos estes inválidos pela sociedade, que não encontraram uma saída antes mesmo de entrar, decidiram meio que por obrigação ou missão divina, então esse obscuro e muitas vezes sem graça mundo musical.
Digo sem graça, pois ainda há gente que pensa que música se limita a ser apenas uma coisa que alguém expressa para ganhar dinheiro, algo que não passa de palavras juntas a um ritmo e por aí vai. Música é o estado de espírito, a maior das perfeições, mesmo que quando ouvida por gente desinteressada ou até mesmo bêbada não deixa de ser a arte suprema que é capaz de transmitir todo o amor e todo o ódio em uma só nota, em um só momento, em um só suspiro.

Seja azul ou vermelha, mas quero a minha inspiração aqui, eu preciso, eu gosto, eu amo. Não há dúuvidas de que, se eu contar, posso estragar tudo e encobrir novamente o meu mundo com todo esse cinza predominante nesse universo paralelo em que viajo para buscar o que eu mais quero. Mas sou.

Eu desejo ter apenas o que quero, não quero mais nada além de letras unidas, acordes harmônicos e papeis riscados... opiniões construtivas e uma bossa-nova de entrada, como prato principal o bom e velho rock’n’roll e, de sobremesa, a Musica Brasileira. Juro odiar o termo do Meio – por isso que ocultei – “Popular” pois... música popular brasileira é o samba, o funk, o axé o pagode, a boa música brasileira é aquela que – infelizmente – quando toca muitos viram os narizes e dizem “ECA’’.. Vai entender esse povo CULTO...”.

Neco Vieira, 16 anos, além de um amigo queridíssimo, é também um dos melhores letristas que eu conheço. Guardem esse nome! O blog dele está recomendadíssimo na sessão "Café com letras".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Guardanapos do fim-de-semana: 22/02

No sábado, não tivemos absolutamente nenhum guardanapo. O pessoal, na hora de pedir, já foi direto no gogó mesmo:

-TOCA PRETEEEEEEEEEENDERS!!!!!!!






Mas a sexta garantiu muito assunto para este post da sessão Guardanapos da Semana:

Beuquior (sic)? Qualquer coisa?

Ih, nem deu pra argumentar que "Como nossos pais", na verdade, é um roque enrow (como diria a Deusa Lee). Quando eu falei "Belchior" o povo já gritou "NÃÃÃÃÃÃÃO!


Legião Urbana (qualquer uma). Ok, tranqüilo! "Garotos"... Lenine? Não é do Leoni, não?
Valeu de qualquer forma! Acho essa música lindinha demais!


Adivinhem de quem é essa? Dele, é claro! O homem, o mito, a lenda... RAUL!
Mas esse pedido estava escondido no verso do guardanapo do Legião/Lenine e eu não o vi...

Ah, que graça de música! Na hora do "Por você, eu deixaria de beber", ouvi um "ah não! Tá pedindo demais!"



Cuma?


Essa eu deixei para a banda que iria tocar depois de mim. Dei uma de Cate Blanchett e encarnei um Bob Dylan de Rayban e gaitinha. Mas já estava com o tempo bem estourado e essa ficou para o show posterior.

Opa, mais uma pra lição de casa. Mas gostaram do medley de "Um certo alguém" com "Toda forma de amor" que fiz para compensar.

Rock 80's nacional? Oba! Veio ao lugar certo!


Mais rock 80's brasileiro no pedido, mas, como o tempo já estava curto, foi só o Pearl Jam mesmo - afinal, já tinha rolado um som dos Paralamas. Pearl Jam, fora do panteão óbvio do classic rock, é uma das bandas que mais agrada ao pessoal do Dinossauros Rock Bar.

Especialidade da casa! Cantar Janis Joplin num rock bar é uma obrigação - e um imenso prazer.



Bom, aconteceram dois erros de "coletividade": o primeiro é que a música é do Queen inteiro... outro que é "We are the champions", mas tudo bem. Essa está sendo exaustivamente ensaiada para, gloriosamente, entrar no repertório próximo às Olimpíadas. Também estou ensaiando China Girl, do Iggy Pop (que é a único rock que fala de algo da China que eu conheço. Se alguém tiver outra sugestão, agradeço muito!)


God save the 80's! Infelizmente, Madonna é meio pop para o Dinossauros... mas "Música Urbana", do Capital Inicial encerrou a noite de sexta com todo mundo cantando os "ÔÔÔ"s. Muito bom!

Segunda que vem tem mais!
Músicos, mandem também os seus guardanapos que eles serão publicados aqui no Blog do Barzinho!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Como fazer um músico feliz (depois de um dia muito estressante)

Ele queria discutir a relação. Naquele exato instante. E, naquele exato instante, eles estavam presos no trânsito em algum lugar do trajeto entre Interlagos e Perdizes. Trinta e seis buzinas tocando ao mesmo tempo e a voz do futuro ex-namorado cornetando muito mais alto que todas as buzinas de São Paulo. Isso só acontecia com ela: homem querendo discutir a relação no meio do trânsito!

Estava atrasadíssima. Deveria estar em Perdizes às 19:00 e, às 18:30, mal tinham conseguido chegar à metade do caminho. Nunca iria dar tempo. A bateria do celular já tinha dado seu último suspiro e ela não tinha como ligar para avisar. Talvez perdesse o emprego. E, durante todo o trajeto, dá-lhe tentar convencer que não era uma hora adequada para a velha ladainha de "você dá-mais-atenção-pro-violão-que-pra-mim".

Nem pensou em recusar o convite para tocar naquele casamento. Era um bom dinheiro: dava pra pagar certinho a parcela que faltava do computador. Se desse tudo certo, conseguiria sair de lá e chegar ao barzinho em cima da hora. No máximo, uns dez minutinhos de atraso - que ela compensaria no final. Mas não deu tudo certo...

Na verdade, o correto seria dizer que deu certo até demais porque o pessoal da festa gostou tanto que ficou pedindo "mais um! mais um!" e, quando ela viu, já tinha passado muito da hora de parar. O namorado, que insistiu em ir buscá-la no buffet para levá-la ao barzinho, acabou esperando um tempão na porta. Não adiantaram os pedidos de desculpas, não adiantou explicar que estava trabalhando e seu atraso não foi gratuito... ela sempre era a errada, a egoísta, a egocêntrica...

Quarenta minutos depois do previsto, finalmente chegaram ao bar. Tomou uma merecidíssima bronca do gerente. Para tentar consertar, disse que tocaria sem intervalo. O gerente aceitou e lá foi ela.

Estava esgotada. As mãos doíam, os dedos não obedeciam direito, a garganta secava com uma freqüência muito maior. Havia tocado do meio-dia às seis, com duas paradas de quinze minutos. E, muito mais cansativo que tudo: uma hora e meia de trânsito e discussão. Seriam longos minutos até às onze horas.

E, quando parecia uma noite perdida...




Agradeceu imensamente com muitas lágrimas nos olhos. Disse que jamais poderia retribuir com um desenho à altura, pois era péssima com os lápis de cor. Então, dedicou-lhe "Aquarela". Chorou na parte do "... que descolorirá". A Gabriela não entendeu muito bem o porquê das lágrimas, mas aplaudiu maravilhada e fez a família inteira aplaudir, desencadeando o efeito dominó: mesa por mesa, todo o bar aplaudiu essa música e todas as seguintes. Rolou aquela química gostosa entre artista e platéia e foram uns dos melhores shows que ela já havia feito.


Ah, Gabriela... já te disseram que você tem nome de anjo?





Epílogo


Pouco tempo depois, o cara disse: "Ou eu, ou a música!". Ela nunca mais o viu depois desse dia.