terça-feira, 11 de novembro de 2008

Post novo

Queridos, ando ocupada me adaptando à nova vida de assalariada (que eu queria faz tempo) e os posts tão meio devagar... mas hoje à noite (ou amanhã no máximo) já vou dar um jeito nisso.

Como diria o mestre Abravanel: "Aguardemmmmmmmmmmmmmmmmm"

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Chique

Proposta simplesmente irrecusável. Nunca tinha visto tanto dinheiro por uma apresentação.

Levaria seu equipamento, montaria tudo com calma, faria seus intervalos e tocaria na inaguração daquela butique chiquérrima por algumas horas.

Uma chuva torrencial castigava São Paulo (e São Paulo com chuva é um desânimo só). Chegou na hora marcada, decidiu, junto com o gerente, onde ficar ("próximo à parte dos biquínis ou perto da cafeteria?"), mudou de lugar depois de montar tudo ("perto da cafeteria é melhor") e estava morrendo de medo de que uma rajada de vento mais forte trouxesse consigo um pé-d'água e molhasse suas caixas de som... mas a chuva parecia ter estabilizado naquela garoazinha pentelha que só serve pra estragar a chapinha.

Falando em chapinha, todas as mulheres que passaram por lá fizeram uso dela - e, claro, todas chegaram cobrindo os cabelos de alguma forma. Não eram muitas: a chuva e o trânsito, de fato, esfriaram a inauguração.

O tempo parecia parado. Nenhum aplauso, poucos olhares, pouquíssima empolgação. Mulheres passando, de vez em quando, experimentando sapatos, jóias e casacos. Um pedido de música: "Como nossos pais". Cantou muitíssimo bem e recebeu meia dúzia de palmas.

As entradas passaram se arrastando. Sabia que não poderia competir com brincos de diamante e casacos exclusivos. Parecia invisível, era uma máquina de som ambiente e nada mais. Por incrível que pareça, isso é muito mais cansativo do que um show em que o músico se empolga e dança sem parar. Mais cansaço e muito menos prazer.

No fim da tarde, recebeu sua excelente paga. Sorriu com o cantinho da boca. Ouviu elogios do dos donos e das vendedoras... e aí sorriu de verdade.

Um músico não pode viver nem só grana, nem só de aplauso. Quando falta um dos dois, tem algo errado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Gringos... e bêbados

Tocar para pessoas de outro país é sempre uma experiência ótima. Impressionante como até hoje, em nossos tempos de internet, o pessoal vem pra cá achando que vai encontrar ruas cheias de macacos, árvores e índios! Romantismo? Excesso de Simpsons? Tapadice? Não faço idéia... mas não deixo de ver essa vontade deles de ter uma "tropical experience" com uma certa ternura.
Por "tropical experience"entenda-se natureza exuberante, caipirinha, "boussa-nouva", "semba" e bundas grandes. Ah! E Carmem Miranda também.



"Com tanto brasileiro por aí metido a bamba... sucesso no estrangeiro ainda é Carmem Miranda" - Rita Lee


Uma amiga de um amigo costuma fazer várias apresentações para gringos em eventos e barzinhos. Sempre dá um jeito de levar um chocalho e tenta ensiná-los a acompanhar um sambinha de leve. Apenas um alemão conseguiu manter um rítmo razoável (embora estivesse consideravelmente bêbado). Geralmente, parece que eles levam um choque ao segurar o chocalho e sacodem como se fosse uma garrafa de champanhe... e eles mesmos acabam rindo do próprio "mico tropical".

Falando em "consideravelmente bêbado", é notório que a relação que os gringos têm com a bebida é diferente da relação do brasileiro. Para encurtar razões, via de regram, gringo bebe, mas bebe MUITO mais do que o brasileiro - especialmente os europeus.


Uma vez, uns amigos foram tocar em um evento em um hotel chiquérrimo. Mulheres de longo, homens de terno e gravata, repertório ensaiadíssimo, tudo muito elegante.


Lotação do hotel esgotada e 90% dos hóspedes são - adivinhem - gringos. Gente de toda a América Latina, muita gente da Europa, gente dos EUA, Austrália, Japão... enfim, gringos pra todo lado, de todas as etnias, raças, credos e cores... mas com uma coisa em comum: todos ENCHENDO A CARA de caipirinha, vodca, conhaque e outros destilados.

O Piano Bar já estava um pandemônio quando meus amigos chegaram. Gente gritando em várias línguas (algumas já incompreensíveis), gente tropeçando em total contraste com a costumeira sobriedade (até exagerada) do lugar em outras ocasiões. Eles, músicos experientes, montam seu equipamento numa boa, rindo para um ou outra criatura que chega perto deles cambaleante, com um copo na mão e fala;


- Capirenha, semba, Brazil!!!!




Um outro disse, sem cerimônia:


- I love bundas!!!




E assim por diante. Eis que começa o show. Garota de Ipanema, Desafinado, Corcovado, Águas de Março, O barquinho... e o povo gritando, aplaudindo e bebendo.


Aí chegou a hora dos sambas: Foi um rio que passou em minha vida, Quem te viu, quem te vê, o bêbado e a equilibrista... todos em uma versão mais acelerada, bem viva, bem vibrante. E eis que de repente, não mais que de reprente, um grupo relativamente grande se levanta, pega suas cadeiras, colocam-nas no meio do piano bar... e começam a brincar de "dança da cadeira". Um outro subiu na mesa. Um outro caiu no meio do bar. A banda anunciou um intervalo.

Os gerentes, com muito jeitinho, um a um, foram acalmando os ânimos do povo na conversa.

Depois dizem que maloca é coisa só de brasileiro...





Tá aí minha cantora predileta da atualidade que não me deixa mentir!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Corporativismo

Já estava na hora de arrumar algo que desse a estabilidade que a música nunca tinha conseguido oferecer. Às vezes tem ótimos trabalhos, às vezes não; algumas vezes excelentes cachês, noutras uma mixaria. A marca dos 30 se aproximando e a água batendo na bunda.

Conseguiu uma entrevista numa empresa. Surpreendentemente, estava tranqüila. Foi muito bem em todas as etapas. Um dos entrevistadores disse:

- Talvez você não encontre o ambiente com o qual você está acostumada. Você vai ter que se manter motivada e fazer o possível pra contagiar as pessoas - mesmo quando parecer que essas pessoas estiverem meio contra você. Dentro de um mesmo grupo, você vai ter que lidar com opiniões muito diferentes, sempre vai ter aquele que não vai trabalhar direito, que vai destoar do objetivo principal... e você vai ter que estar preparada para lidar com isso, tendo que focar um objetivo e fazer de tudo para atingi-lo e fazer com que o grupo também o atinja. Vai ter que lidar com pessoas, às vezes, meio estúpidas, meio despreparadas, que vão te colocar no limite. Isso é um ambiente empresarial... você acha que está emocionalmente preparada para isso?

Muito tranqüilamente, ela respondeu:

- Se o senhor não tivesse dito que essa é a descrição de um ambiente corporativo, diria sem pensar duas vezes que estávamos falando da experiência de ter uma banda tocando em barzinhos! Ou, talvez, um grupo de teatro. Não só estou emocionalmente preparada, como digo que isso já é parte da minha rotina de trabalho. Motivação, objetividade, contagiar pessoas, lidar com diferenças... o que pode ser mais relevante para um profissional da arte?

- Meus parabéns. A vaga é sua.




domingo, 2 de novembro de 2008

Tirinha sensacional

Achei essa no "Tirinhas do Sabiá" - portfólio de Tiago Nepomuceno!




"Brinquedo de papel machê" foi ótimo!!!



Confiram outras tirinhas no site do cara que vale a pena!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Preparação vocal - corpo

Continuando a série "saúde", vamos pra umas dicas de como cantar com o mínimo de desgaste possível.

Para se sentir confortável cantando, é fundamental que se aqueça não só a voz, mas também o corpo. Cantar coloca o seu aparelho respiratório pra trabalhar dobrado e envolve, no mínimo, para os que cantam sentadinhos, movimentos de ombros, costas, pescoço e praticamente todos os músculos do rosto; os "serelepes" ainda têm que incluir no pacote toda a movimentação de braços, pernas, etc.

Quanto menos tensão acumulada em qualquer uma dessas partes, menos esforço você fará para cantar.

O ideal para montar um programa de alongamento é, antes de mais nada, fazer uma avaliação postural para ver que tipo de exercício vai te ajudar mais - e, principalmente, quais evitar. Por exemplo: quem tem qualquer tipo de problema na parte superior da coluna (região cervical) tem que evitar certos tipos de movimentos, enquanto quem tem problema na parte de baixo da coluna (região lombar) tem que evitar outros tipos de movimento. Então preste bastante atenção nisso e não se meta a besta: procure um profissional para te orientar e não corra o risco de se machucar de bobeira.

Depois de montado esse programa de aquecimento, você verá que suas articulações estarão aquecidas, as costas estarão retinhas, ajudando você a respirar melhor.

A respiração é o "motor" do canto e, obviamente, quanto melhor esse motor funcionar, melhor será o aproveitamento da sua voz. Nos próximos posts, dicas de controle da respiração e aquecimento dos músculos do rosto e da boca.



Pra quem se interessar, recomendo todos os livros da fonoaudiólaga Mara Behlau e também o livro "Canto, uma expressão", de Mônica Marsola e Tutti Baê, com outras informações preciosas a respeito da fisiologia do canto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cigarro

Este é um post direcionado exclusivamente para dizer: Por favor,




Queridos fumantes,

ninguém aqui vai ficar fazendo sermão sobre os malefícios do cigarro e toda essa ladainha que vocês, com certeza, já estão cansados de saber. Também sei que é bom fumar um cigarrinho enquanto bebe uma cerva geladinha. Vocês têm todo o direito de curtir isso (e pagam pra isso), mas, POR FAVOR, fumem LONGE do cantor.

Não digo apenas em meu nome: tenho vários conhecidos e amigos cantores sentem os efeitos nocivos da fumaça do cigarro interferindo no seu trabalho, pois a respiração fica mais curta, o que faz com que a prega vocal faça um esforço excessivo, danificando-a a médio prazo. conheço até alguns cantores fumantes que não gostam da intereferência do cigarro na hora do show - a maioria só vai acender o primeiro do dia depois da apresentação. Atrapalha muito MESMO.

Eu parei de fumar há 8 anos, quando o otorrinolaringologista foi franco: "Ou você pára de cantar ou pára de fumar. Os dois juntos não dá porque a fisiologia da sua prega vocal não tem a menor resistência pra isso". Valeu a pena e eu recomendo, mas, se você não está interessado em parar, use seu bom-senso - que é muito mais eficaz do que qualquer lei proibitiva. Se você estiver muito próximo ao palco, afaste-se um pouco, procure um lugar mais ventilado - ou, pelo menos, tenha a bondade de jogar a fumaça para o lado OPOSTO. Não custa nada para você e ajuda MUITO o cantor.

Deveria ter feito esse post antes de estar com cordite (inflamação na corda vocal) e de desenvolver um nódulo nas pregas vocais! Dá-lhe fonoterapia...

Nos próximos posts, dicas de aquecimentos. Músico geralmente é meio preguiçoso pra isso e está erradíssimo.