sábado, 29 de novembro de 2008

Aniversário do Blog do Barzinho



Puxa vida, que desnaturada! Nem me lembrei que, no último dia 27, o Blog do Barzinho completou seu primeiro ano!



Antes de soprar a velinha, aproveito pra agradecer MUITO a todos vocês que se divertem, se distraem e se emocionam aqui. Agradeço aos novos amigos que fiz graças às histórias (todas verdadeiras) que aqui estão. Agradeço aos velhos amigos que sempre vêm dar uma forcinha aqui e aos leitores anônimos que, mesmo sem comentar, não deixam de visitar esse espaço.


Espero que tenhamos ainda muitos aniversários (de preferência, não esquecidos...) e que vocês se divirtam cada vez mais por aqui!



Rá! Tim! Bum!


UPDATE


Ganhei um presente do pessoal do Ki-Locura! Olha só!





Como o show do Canuck's foi cancelado, assim que tiver outra data legal eu volto com a promoção "Leia o Barzinho e concorra a um chope pago por mim"!

A arte de irritar um músico profissional - no show

Mais um post da série "A arte de irritar um músico profissional". Transforme o palco em um inferno seguindo as dicas abaixo!




Pô bicho, szabe que que é? Tô muito loooooooco!




Beba até perder a noção do ridículo. Erre todas as músicas. Pare o show para fazer strip-tease. Derrube cerveja nos instrumentos e equipamentos de seus companheiros de banda e no cabelo daquela patricinha que sempre fica na frente do palco. Faça do seu amplificador um trampolim. Caia em cima da bateria - ou em cima do que quer que seja. Master: vomite no palco.


Pô bicho, sabe que que é? Esqueci um negócio e vou ter que voltar pra buscar!




Sugestões de coisas interessantes que você pode esquecer para atrasar o show:

- Baterista: monte a bateria inteira e se dê conta de que esqueceu o pedal do bumbo na porta de casa. Esquecer as ferragens, os pratos, a caixa e as baquetas também são boas opções.

- Guitarrista: esqueça o cabo do amplificador. Ou melhor, esqueça o amplificador.

- Baixista: esqueça o cabo do baixo e ligue o instrumento em linha, embolando todo o som.

- Tecladista: esqueça a fonte e fique tocando meia-lua (aquele pandeirinho idiota) no cantinho do palco. Nível master se a banda for de rock dos anos 50.

- Violonista: esqueça a bateria do pré-amp e arrebente a mão tocando com toda a força.

- Vocalista: esqueça o cabo do microfone ou as pilhas do microfone sem fio. Aliás, esqueça o microfone também. Se você é daqueles que não andam sem a pasta de letras, esqueça a estante e equilibre a pasta numa cadeira.

- Violinistas/ violistas/ cellistas/ contrabaixistas: esqueçam o arco.

- Saxofonistas/ clarinetistas: esqueçam as palhetas.

- Trombonistas/ trumpetistas: esqueçam os bocais.


Pô bicho, sabe que que é? Nem rola passar o som!



"Passagem de som? Regular volume? Regular timbre? Chegar antes? Pra que isso?! Não tem mistério, é só chegar e tocar!" - diga isso com a maior naturalidade do mundo. Vá buscar sua namorada em casa, do outro lado da cidade, e chegue em cima da hora. Master: seja o responsável por levar todo o equipamento da banda.


Pô bicho, sabe que que é? Não tô me ouvindo!



Ensurdeça seus companheiros de palco e o público aumentando o volume a cada música. Encubra completamente a voz e qualquer instrumento solista. Esmurre a bateria, coloque o volume do seu amplificador no 10, queira aparecer sozinho. Master: saia no tapa com quem o mandar abaixar o volume.



Pô, bicho, sabe que que é? Esqueci esse lance da roupa!




Não vá com o figurino que a banda combinou. Vá de terno se todos combinaram calça jeans. Vá com uma bermuda camuflada, seus tênis mais velho e uma camiseta desbotada quando combinarem smoking. Vá todo de preto quando combinarem as cores (e vice-versa). Master: pegue a roupa de alguém emprestada e toque parecendo um espantalho.


Siga esses passos e faça a vida de um músico mais infeliz! É tiro e queda!


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

"Finalmente, o Bar" - Dueto com Rodrigo Yoshizumi

E Rodrigo Yoshizumi, do Espaço em Branco, sobe ao palco do Barzinho para dar uma canja com seu texto "Finalmente, o Bar"! Rodrigo canta entre aspas, Giovana canta em itálico!


"Algumas garrafas de Heineken podem nos fazer pensar “verdadeiras verdades”. Depois de descarregar os duzentos quilos de preocupações que fizeram os meus últimos dias realmente ruins, pude ter uma hora (literalmente uma hora, logo depois da aula de Tecnologia em Rádio e TV) para relaxar em um bar."

Aceitar um emprego diurno foi uma decisão baseada em "verdadeiras verdades" medidas em números de shows desmarcados, contas a pagar e anos vividos sem a sonhada independência. Teve medo de, um dia, se ver presa naqueles montes de siglas, teclas e procedimentos. Seus últimos dias não foram ruins, muito pelo contrário. Mas dava medo de pensar na hipótese de aquela rotina, de repente, subtrair a artista de si mesma. Mas, na quinta-feira, teria 3 horas para tocar em um bar e ser simplesmente o que sempre foi (e o que sempre quis ser): uma musicista.




"As garrafas de Heineken não foram para mim (uma bela forma de contar que os meus amigos beberam também!). Só uma batida, algumas batatas fritas... mas foi o suficiente. A semana passou. Depois de cerca de 15 horas viajando de metrô, cruzando a cidade, de gastar cerca de cem reais no vale refeição, de entregar trabalhos, de fazer seminários (nada me desagrada mais na faculdade do que seminários), de trabalhar bastante, de matar algumas aulas (para fazer os malditos trabalhos), de cafés (muitos cafés por sinal, por causa das quatro horas diárias de sono), de muito estresse... A semana acabou! E novembro, graças a deus (sem conotações religiosas), também está para acabar. Junto com ele, as aulas... e o ano!"

Muita água e duas maçãs por dia. Isso é imprescindível para quem trabalha em locais com ar-condicionado. Foi a mais atípica semana de sua vida: 10 horas entre ônibus, metrôs e terminais, marmitas, seus quatro anos de estudo de espanhol e seis de inglês de volta em um minuto, cafés (muitos cafés, por sinal, por causa das quatro horas diárias de sono), do estresse que toda mudança provoca. Agora, a semana acabou! E novembro também está para acabar. Junto com ele, o ano! Conheceria, então, duas novidades: salário fixo e parcelas de décimo-terceiro. Nada mau!




"Só posso dizer que o Natal nunca foi tão sonhado para mim. Vai significar o fim do ano de 2008! Mas calma, ainda não é hora de discutir isso. Deixa para o fim de dezembro mesmo! Bom, finalmente o bar. O simbólico bar. Porque bar pode significar muitas coisas. Mas no momento, para mim, significa apenas que pude sair um pouco da minha rotina."

Não saberia se seu plantão seria no Natal ou no Ano-Novo. Seja como for, vai significar o fim do ano mais surpreendente da sua vida. Mas ainda não é hora de discutir isso. Deixa para o fim de dezembro mesmo! Bom, finalmente o bar. O simbólico bar. Porque "bar" pode significar muitas coisas; mas, no momento, significa apenas voltar à sua amada rotina.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Trabalho

Tudo bem, gente?

Eu estou um pouquinho louca nesta semana, fazendo treinamento para meu novo emprego (e indo ao dentista, dando aula, tentando estudar, dormindo mal, etc.) e ainda não consegui organizar decentemente meu tempo para blogar.


(Via Bichinhos de Jardim)


Mas na SEXTA-FEIRA temos várias novidades por aqui pra descontar o tempo perdido, ok?

Enquanto não temos novos posts, vou aproveitar para convidar todo mundo a conhecer meu trabalho musical nos seguintes links:

Gi Vincenzi e Banda Imaginária é meu trabalho próprio - previsão pra lançamento do CD Cinco Minutos de Fama em 2009 (ou não). Vídeos, release do CD (ou não), fotos e 6 das faixas que estarão no álbum.

Giovana Vincenzi é como assino meu trabalho com covers. Release, fotos, vídeos e covers de Survivor, Cassia Eller, Ana Carolina, The Pretenders, Janis Joplin e Djavan.


Espero que todo muito goste!

Beijos e até sexta-feira!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Seresta do recomeço




Não havia mais razão para a seresta. Na janela, não mais Beatriz mandava seus beijos. Os olhos da musa não mais brilhavam. A saudade lancinava-lhe o peito e impunha-lhe um impiedoso nó na garganta.

Foram 54 anos de amor e quatro filhos criados; ou, como ele prefere dizer, "mais de meio século de namoro e quatro frutos desse amor". Lamentou o fato de três, dos quatro filhos, terem desmanchado seus primeiros casamentos. Mostrou Beatriz em sua juventude - belíssima - guardada em preto e branco na carteira. Mostrou um bilhete escrito em letras miúdas e caprichadas:

- Os cabelos embranquecem e nosso amor nunca envelhece. De sua eterna namorada.

Lágrimas.
Mas acreditava no céu e Beatriz estava lá, muito bem aconchegada. Ela, certamente, continuava a ouvi-lo... e mais certamente ainda não o queria triste. Era preciso cantar, mais que nunca era preciso cantar. Cantar para Beatriz, cantar para a vida, cantar a bênção e o privilégio de quem experimentou o verdadeiro amor infinito enquanto durou.

Então, aos 77 anos, uma ano e meio após a última seresta, ele subiu, glorioso, ao palco do barzinho, a convite de uma grande amiga. A voz inigualável um pouco trêmula, mas ainda lindíssima, com a potência e magia que só a voz dos seresteiros legítimos carregam.


- Esses moços, pobres moços... ah, se soubessem o que eu sei!

domingo, 23 de novembro de 2008

A arte de irritar um músico profissional - ensaio

Pô bicho, sabe que que é? Nem deu pra tirar as músicas!


Chegue sem ter a menor idéia de nada. Peça para alguém colocar a música para você tirar na hora. Diga que tirou e, na hora de tocar, toque tudo errado. Espere alguém perguntar o porquê de você não ter tirado as músicas e responda que esqueceu, ou que não teve tempo.

Master: Faça isso próximo a um show, com um repertório ainda inseguro.



Pô, bicho, sabe que que é? Nem deu pra ir!




Não vá ao ensaio e não avise ninguém. Deixe o celular desligado ou deixe os trouxas da banda ligarem até dar caixa postal. Não pegue os recados. Não ligue no dia seguinte para dar satisfações. Deixe um outro trouxa te ligar pra perguntar o que aconteceu. Dê uma desculpa esdrúxula do tipo "roubaram o som do meu carro e não deu pra eu sair".

Master: Faça o resto da banda desmarcar compromissos para ensaiar e não dê as caras.



Pô, bicho, sabe que que é? Nem rola levar pra arrumar!

Mantenha seu instrumento em péssimas condições. Sugestões:

Bateria: deixe as peles em estado deplorável. De preferência, rasgadas. Toque com o pedal do bumbo quebrado, de forma que, no meio da música, ele quebre de vez. Toque com pratos rachados, de modo que pareça ter uma casacavel em cada um. Quebre todos os pares de baquetas.

Guitarra e baixo e violão: deixe bem desregulado, de forma que não afine de jeito nenhum. Toque com as cordas apodrecidas e enferrujadas. Use cabos quebrados, ou deixe o jack (parte onde o cabo é plugado) solto ou com mau-contato, de modo a fazer aquele barulho insuportável de estouro toda hora. Deixe seus pedais de efeito todos desregulados. Deixe o amplificador com o pior timbre possível. Toque o mais alto que o amplicador permitir.

Teclado: deixe-o com mau contato na fonte. Tenha pelo menos uma tecla que esteja com defeito e não toque - de preferência, em um solo. Tenha o pior banco de timbres possível.

Microfone: tenha um cabo podre para ligá-lo. Deixe o botão "on-off" quebrado para que o microfone desligue e ligue a hora que bem entender. Derrube-o diversas vezes para amassá-lo bem e deixar com um som bem abafado, como se estivesse cantando em uma privada.


Pô bicho, sabe que que é? Se eu não deixo o celular ligado minha mulher briga comigo!
Gaste todos os seus créditos na hora do ensaio. Fale com sua mulher, namorada, etc (ou com seu marido, namorado, etc) a cada meia hora. Discuta a relação por telefone. Quando aquele seu tio ligar pra tirar sarro porque o seu time perdeu, enrole bastante - inclusive cobrando aquele churras que, há tempos, ele diz que vai fazer no seu aniversário. Pergunte sobre a família inteira. Discuta relatórios com seu colega de trabalho.

Master: Brigue quando alguém pedir pra você desligar ou quiser continuar tocando enquanto você fala


Pô, bicho, sabe que que é? Nem tô a fim de tocar hoje!


Ensaie com toda a má vontade do mundo. Toque olhando para o relógio. Fique de cara fechada e não olhe nos olhos de ninguém. Erre sempre no mesmo pedaço e não se preocupe em corrigir.

Master: Quando alguém perguntar se está tudo bem, diga que está tudo ótimo e só está tocando de má vontade mesmo.


Pô bicho, sabe que que é? Não rola uma pausa pro cigarro?


Pare, no mínimo, umas quatro vezes por hora pra fumar. Fume saboreando cada milímetro de nicotina, sem um pingo de pressa. Se possível, jogue a fumaça em si mesmo para voltar empesteado com o cheiro de cigarro.

Master: Tenha a falta de educação de fumar dentro do local de ensaio, de preferência ao lado do cantor.



Siga essas dicas com freqüência para aumentar o estresse de um músico profissional! Claro que, uma vez ou outra, um deslize a gente pode perdoar, desde que consigamos perceber que é uma eventualidade ou uma necessidade casual (como deixar o celular ligado um dia em que tenha uma emergência). Quando vira uma constante por pura má vontade, aí já não tem a menor condição. Rua!

sábado, 22 de novembro de 2008

22/11 - Dia do Músico

Em 22/11 de 1599, achou-se em uma cripta da Europa um corpo inexplicavelmente conservado, de uma mulher que viveu e morreu no século II.

Essa mulher, chamada Cecília, teve a seguinte história de vida:

Cecília converteu-se ao Cristianismo quando ouviu, pela primeira vez uma melodia cantada por anjos que apenas ela percebeu. Vivia o Cristianismo às escondidas. Sua família, da nobre sociedade romana, arranjou casamento, como de costume, com um cavalheiro da época, Valeriano. Cecília não só converteu o marido à sua religião como também o seu cunhado (Tibúrcio) e um monte de gente. Dedicavam-se aos pobres, faziam caridade e mantinham uma vida casta. No entanto, o Império Romano não era nada simpático ao Cristianismo e, depois de matar Valeriano e Tibúrcio, Cecília também foi condenada à morte por asfixia.

Trancaram a mulher numa sala de vapor... e ela simplesmente cantava louvores a Deus, cantava, cantava... e nada de morrer. Furioso, o poderoso Almachius ordenou que ela fosse degolada. No entanto, o carrasco não conseguiu cortar sua garganta com os 3 golpes permitidos por lei e Cecília agonizou durante 3 dias até, enfim, morrer. Dizem que ela conservou um sorriso no rosto.




Que nunca deixemos de ouvir a voz de nossos anjos. Que nenhum carrasco consiga cortar nossa garganta quando quisermos nos expressar. Que consigamos manter nossa arte intacta segundo nossos ideais, seguindo o que temos por verdade, e que consigamos viver sem abrir mão disso.

Que a música continue, todos os dias, salvando nossas almas e que nossa obra transceda a morte do corpo e permaneça viva em toda alma que tocar.

22 de novembro - Dia do Músico